Antonio Caldas
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Antonio Caldas

LITERATURA CABOCLA

Por: | 18/01/2024



Literatura cabocla não exige recomendações do empirismo popular, tampouco provocações dialéticas do eruditismo. Não há de haver medo, nem segredos aquebrantados, há sim, fortes emoções e expressar de linguagens. Literatura cabocla é um diálogo civilizado com as mais variadas expressões e tendências contemporâneas; “mesclas do pós-modernismo”. O texto quer dialogar com todos os elementos da subjetividade e aglutinar os mais variados pensamentos críticos. Se insere no escopo de várias vertentes, olhares experientes, com o fito de abarcar uma opinião própria. Opinar acerca de mágoas, saudades, desilusões, almas esqueléticas, mulheres famélicas pejadas, sarjetas, longínquas estradas, vidas campesinas, berços sem lastros, utopias massacradas. Uma espécie de transeuntes que divagam por querências selvagens, homens e mulheres denudas, colos sem dengos, caminhos ermos, mentes mutiladas.


Cabe expressar que “literatura é a arte que tem a palavra como matéria-prima, apresenta grande subjetividade e também plurissignificação”. É, portanto, desta matéria-prima que se constrói o enredo de um “Dom Casmurro”; “Grande Sertão: Veredas”; “Morte e Vida Severina”; “Menino de Engenho”; “A Bagaceira”; “Ócio Criativo”; “O Diário de Anne Frank”; “O Alfabeto da Sociedade Desorientada”; “Cem Anos de Solidão”; Teoria da Norma Jurídica”; O Homem é o Lobo do Homem”; O Capital. E, por fim, a essência do empirismo poético de um Cordel. Assim se compõem os textos literários, assim surgem as personagens que habilitam os teares que tecem a riqueza das sete artes. E por que não fazer um tributo a Noel? Não rabiscar uma página para referendar Patativa do Assaré, o Carimbador Maluco – Raul Seixas, o poeta sertanejo Pinto de Monteiro e viajar lá para bandas do Piancó e assistir a uma peleja com Inácio da Catingueira. Ah! Jamais poderia deixar de evocar o Pífano de Zabé da Loca. Pois bem, nossa cultura “apresenta um conjunto de saberes, tradições, técnicas, hábitos, comportamentos, costumes e modos”. É, portanto, patrimônio “cultural que se transmite entre gerações”.


“Plunct Plact Zum, não vai a lugar nenhum”. Quem faz a cultura lapida a mensagem, organiza o painel, elabora emoções. Milagre! Que milagre? Se tudo parece incerto. Amargos sorrisos, regressos incertos, história transgredida, pedaços de céus. Insanidades, Invasões bélicas, escravidão voluntária, miscigenação, escombros éticos. Sinistros, sequestros, cadáveres vivos, sepulturas precoces, lei mosaica, diásporas, individualismo. E pensar o que, se tudo já está escrito! Será que a fraqueza da América Latina advém do seu povo? É apenas um pensar divago, uma mente mutilada, um suspiro sucumbido, hemorragia moral. 


Somos gerações de promíscuos profetas que apregoam milagres. Milagres do dízimo? Pode ser um João de Deus, um Malafaia, um Valdomiro, um Edir Macedo, um Padre Kelmon, ou Belzebu de Saia. E, lembrar que no meio destes abutres, há um homem bom crucificado. Para mim, tudo isso são recortes de percepções literárias que brotam da cognição, transpiram do respingo do orvalho que inunda a mente. É o reverberar do cio da terra, a cintilante maciez do capulho de algodão, a flor do caribe, agasalho na mão, expertises neurológicas, partituras dialógicas, duetos científicos entre gerações. Não há nada de mitologia grega, nem magia lendária, não esboça conto lírico, nem de fada, tampouco é mistério, jamais tem som de fado.


 Literatura cabocla é um rol de concepções. É aglutinação de ideais, palavras planejadas, garimpo de sonhos, amostras ampliadas. É uma visão cosmopolítica, ranhuras do tecido social. É querer enxergar a invisibilidade do comportamento geopolítico e observar a idiossincrasia da fundamentação do orçamento de 2024, captação de R$ 53 bilhões de Emendas parlamentares. E a educação, saúde, segurança, salário mínimo, insegurança alimentar? Aí se pergunta: quem és tu que não me respeitas? Vive de benesses, de trapaças, mutretas, rasgando a cultura, sujando a pintura, intoxicando preceitos. Quem és tu? Não és digno de me representar. A composição de literatura cabocla não é refugiar o esperançar de gerações em nichos inócuos. É, pois, alertar para um diálogo permanente com a dialética de prosperidade cinética e aperfeiçoar os saberes da contemporaneidade com as subjetividades que a diversidade exige. Por assim dizer, esse é o Diário de Literatura Cabocla. 


Caldas


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