Antonio Caldas
Antonio Caldas
Antonio Caldas

BANQUETE DE IGUARIAS

Por: | 26/01/2024



Banquete de iguarias é uma produção independente que reverbera nas mais variadas temáticas do dicionário poético popular nordestino. É um coquetel de letras e palavras que ora se adunam e ora se desgarram.  É um soletrar soletrando, é um sótão de imaginação que  brota das caatingas do semiárido nordestino. Um latifúndio literário que se esparrama e frutifica por fendas de rochas e rochedos, serras e lajedos, para disseminar a cultura que movimenta os teares que tecem a dramaturgia das sete artes.


Não é banque para príncipes, tampouco para majestades, não dou abraço em fidalgos, nem prometo abrir exceção. A linguagem aqui é simples, disto eu não abro mão, vou conversar com o meu Nordeste e abraçar seus rincões. Poeta, sei lá se sou! Escrevo para me divertir, se me der uma caneta, rabisco aqui e ali, faço meu rol de palavras para puder prosseguir. 


 Coquetel de iguarias, vatapá apimentado, cupim de boi acebolado, carne seca, rapadura, farofa de tanajura, torresmo na panelada, feijoada temperada, sarapatel, buchada, quiabada no dendê.


Quibebe de jerimum, tijolo de buriti, maxixada com pequi, arroz corá no azeite, soro do leite in natura, bolo achocolatado, mungunzá, pernil de porco, paçoca de bacalhau. 

 

Tempero pra todos os gostos, tapioca recheada, pirão mexido no leite, queijo de coalho, coalhada, sangue de porco, chouriço, farinha com carne assada, caipirosca de limão, quiabada apimentada.


Cajazada de cajá, crueira de mandioca, milho pra fazer pipoca, cuscuz com leite de coco, queijo de leite de cabra, milho verde pra curau, pudim de batata doce, carne de sol no varal.


No poeta, poetizar tem um ambiente exclusivo para pensar que o “ verdadeiro poeta é aquele que tira de onde não tem e coloca onde não cabe”. É um rosário poético e profético que enriquece o vocabulário do nordestinês. É uma mão hábil que tira de uma viola desafinada os melhores sonetos. Explicações, para quê! Saia da frente e ouça o som magnífico que transpira do violão de Canhoto de Pombal e da viola desafinada de  Pinto de Monteiro. Se não sabes e não  tiveste a oportunidade de ver, calas-te e deixe de professar asneiras.


Veja o que diz um poetizar caboclo e um nordestino entusiasta. Uma velha bolandeira, um carro de boi quebrado, um açude, um roçado, um capulho de algodão, um novilho mandingueiro, um cão velho perdigueiro e um cavalo alazão. Uma prata de um tostão, uma bodega sortida, mel de abelha selvagem, um cordel por despedida.


Caldas


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