
Há horas em que prefiro não pensar e sim apenas observar sem julgamentos, sem pensamentos e sem quaisquer elementos que possam dar algum tipo de forma à esse método de contemplação.
Dar um stand by às sinapses neurais, sem esboçar juízo de valor, sem questionar, sem pontuar absolutamente nada. Isso significa não usar o pensamento, embora ele fique em pausa e apto a ser acionado em alguma necessidade para ação imediata. E nesse momento, é possível me extasiar com o que vejo, com o que constato e sinto. É uma espécie de sensação por nada formular na mente, nada fazer ou elaborar para ser dito.
Penso que muita gente não consegue se desvencilhar de seus pensamentos e eles têm vontade própria, porque parecem adivinhar quando pretendemos sair de seus domínios. Então, eles arrumam uma maneira de nos puxar de volta aos seus redemoinhos, elucubrações e artimanhas. Eles prendem a consciência no nível da concretude e do envolvimento com a emoção, com apegos e com a sensação de estar no controle.
Abandonar-se para deixar a alma livre, de modo a intuir e que nos dê condições para adentrar em espaços rarefeitos de compreensão, onde tudo é instantâneo e simultâneo, requer coragem. É como dar um mergulho em águas desconhecidas, fascinantes, convidativas e surpreendentes. O que vamos encontrar e descobrir nesse ambiente?
A mente concreta, racional e complexa, não compreende a fluidez da alma, até se deixar render e se deliciar com um campo que nos parece infinito, imensurável, inédito e infinitamente rico em cores e possuidor de uma nitidez inebriante.
Seguir pelo caminho que descortina o abstrato, o uno, o indivisível campo que toca e que se irmana a todos os demais âmbitos da vida, amplia a sensação de mundo e de pertencimento. Esse ato nos faz ver que o outro e tudo ao nosso redor está dentro e fora de nós simultaneamente, eles nos perpassam, somos e estamos como elementos entrelaçados. Somos o todo e o particular. E isso nos faz sentir o outro, compreender que somos extensões de uma mesma origem e mesma fonte, que ininterruptamente nos alenta e nos nutre de vida.
Desse modo, quando retomamos o foco dos domínios da mente concreta dentro de um corpo material, nos tornamos mais maleáveis e compreensivos à realidade do outro, das circunstâncias, das vivências, das vicissitudes, das queixas, embaraços, embargos e emaranhados que o ego menor faz acontecer.
E só então, a vida ganha mais acurado discernimento e o olhar se suaviza quando do enfrentamento do dia a dia.
Nesse ponto, somos a mente quântica, passamos a nos enxergar como alguém que ao mesmo tempo é o observado, o observador e o resultado dessa observação. Podemos nos moldar e nos reformular tão logo seja detectado quaisquer pontos inadequados, ou seja, podemos nos aprimorar sem resistir ou trazer obstáculos à essa mudança benéfica.
Esse exercício amplia nosso cone de percepção, nos faz ver, sentir e viver com maior qualidade, o que proporciona maior tônus emocional, uma vida mais significativa e mais suave sob todo e qualquer aspecto.
E é nessa escalada e patamar da vida, que nos é possível cooperar de bom grado, interagir construtivamente e se tornar mais leve, além de ser uma companhia que agrega e que compartilha o senso de felicidade por apenas existir.
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