
Pontualmente o trem parou na estação,
Em um dos vagões vinha o amado.
Ansioso, atento e meio sem jeito,
Ele desceu com os olhos em busca,
Daquela, cujo coração se enamorara.
Ver a amada lhe iluminou a face,
Agora tranquilizada pelo encontro.
Ela estava ali no seu aguardo,
Contando os minutos para vê-lo,
Abraçá-lo e sentir o seu olhar.
Essas coisas profundas do coração,
Possuem a sutileza das sutilezas.
Elas brotam do mundo mágico da alma,
E se instalam na vida em fortes raízes,
Tomando todo o espaço das atenções.
Não é toda ou qualquer pessoa,
Que tem a capacidade de acionar
Todo esse poderoso processo interior,
Que é chama, agonia e amor.
Especificamente é ‘aquela’ pessoa.
Não foi por acaso o pensamento
Esboçado pelo sábio poeta Rumi
De que os amantes enquanto amores,
Sempre existiram um dentro do outro,
Inexoravelmente e eternamente.
As almas se reconhecem no olhar,
E dele não esquecem pela eternidade.
São sempre atraídos a novos encontros,
Pares que se encontram Eras após Eras,
Para dar continuidade à sua história.
Sua memória está registrada em épicos.
Ganham novos nomes a cada etapa.
São seres com lembranças ancestrais.
O Amor Verdadeiro apenas se apresenta,
A quem se despoja de si para percebê-lo.
O abandono de si mesmo ao amor,
Demanda total abertura interior,
E o desarmar-se para se mostrar.
Requer expandir-se para incluir
Toda a essência do ser amado.
A entrega mútua e despojada de si,
Pressupõe o maior nível do amor,
Do dar-se ao outro sem reservas.
Assim os medos e as dúvidas desabam.
E as trevas jamais tocarão os amantes.
Esse é o diferencial entre o amor minúsculo
Que é limitado, pobre e parcial,
Para o amor maiúsculo e integral,
Completo, magnífico e profundo,
Digno de toda literatura que o enaltece.
Livro
Pensamentos Noturnos - mosaico de emoções e razões, Ideia Editora, 2023
Todos os campos são obrigatórios - O e-mail não será exibido em seu comentário