Hildeberto Barbosa
Hildeberto Barbosa
Hildeberto Barbosa

Morro porque estou vivo

Por: | 08/03/2024

Pensamentos Provisórios

Não morro porque estou doente. Morro porque estou vivo. Desde que nasci, comecei a morrer em muitas situações e de múltiplas maneiras. Em certo sentido (é óbvio que há muitos outros sentidos!), a morte compõe um capítulo nuclear na narrativa da vida. Por isto, pelo menos para mim, não dá para pensar a vida, para viver a vida, para fruir e gozar suas ofertas naturais e imaginárias, sem sentir a sombra silenciosa da morte, tão cutânea como o mormaço do calor ou o hálito do frio. Já morri tantas vezes e tantas vezes me vi bem dentro da medula da vida, que não consigo separar, nem pela força da especulação filosófica, nem pela bruta realidade das coisas vividas, vida e morte. Morte e vida. Morre-se um pouco a cada minuto, a cada hora, a cada dia. E, quando se morre, a cada circunstância palmilhada na experiência de se estar vivo, a vida adquire certo sentido. Certa lógica que a justifica e legítima. Nesse caso, a vida deixa a incita opacidade que impregna o tecido de sua aventura e rotina, para fazer luzir certas cores que nos alegram e confortam. Não se deve temer a morte. Não se deve superestimar a vida. Entre elas não existe antagonismo. No mínimo, há, entre elas, uma dialética interior e incontornável, onde os contrários se pertencem, se misturam e se completam.


FONTE: Facebook - Acesse

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