
Nos idos de um Brasil que nunca deveria ter existido, existiu um deputado estadual em São Paulo que atendia por "Mamãe Falei", que chegou lá na carona do sucesso do Bolsonaro (o qual ele traiu) e da alucinação coletiva que atende pela sigla MBL; ele que antes tinha o mérito de ser filhinho de papai e fazer vídeos onde apanhava para deleite dos ociosos da internet que levam uma vida fútil que lhes permite curtir qualquer coisa inútil.
Esse cara aí pegou um avião e foi lá na Ucrânia em plena guerra levar uma ajuda que não foi pedida e dar uma mãozinha nos coquetéis Molotov (invenção russa, diga-se).
Lendo isso, qualquer inocente útil vai achar que esse "Mamãe Falei" é um herói para Chuck Norris nenhum botar defeito, de tão destemido e altruísta, correndo riscos só para ajudar o próximo sem nada pedir em troca pelo seu sacrifício.
O problema é que ele nunca foi herói de nada.
Nem vou entrar no mérito de que iemenitas, congoleses, liberianos, sírios, líbios, sudaneses e iraquianos nunca mereceram a atenção dele, nem quando um só bombardeio a Bagdá ceifou 500 vidas numa tacada só.
O problema com um Zé Ruela é que ele costuma ser amigo de um monte de Zés Ruelas.
Daria para ser coadjuvante de filme B americano se ele simplesmente voltasse para casa e chorasse lágrimas de crocodilo ao descrever o sofrimento do povo ucraniano, mas nunca que um Zé Ruela agiria de forma tão simples e inteligente. Se assim agisse, não seria um Zé Ruela.
Sem nenhuma razão aparente e sem a menor necessidade, o "Mamãe Falei" mandou áudios para um grupo de WhatsApp onde ele não conhecia nem a metade dos inscritos, traduzindo em palavras o que seus hormônios lhe diziam em sensações. Como nenhuma baixaria é pouca para um Zé Ruela, ele logo começou a tecer "teorias" sobre as ucranianas, entre elas a de que elas seriam mulheres fáceis porque são pobres. Chegou a prometer que ia voltar no país só para "pegar" uma ucraniana, possivelmente antes que fiquem ricas ou que os ricaços que não pegam ninguém descubram isso e todos voem para a Ucrânia a fim de tirar o atraso.
Se ferrou.
Algum "amigo" fez questão de vazar o áudio e o mundo descobriu que aquele Zé Ruela do Mamãe Falei era mesmo um Zé Ruela.
No áudio, ele especula, promete, suspira, conspira e até se excita. Uma pessoa normal teria dito simplesmente "as ucranianas são lindas" e só, mas um Zé Ruela tem que ir além, pois ele precisa falar besteira para que sua vida faça sentido. Ele precisa se exibir e dar uma de filósofo de food truck, só para fingir o que ele não é.
O "amigo" acabou com o que restava dele. Indiretamente, tudo deu certo para a sanidade política brasileira, pois o "Mamãe Falei" foi cassado e nas próximas eleições ele voltará só para apanhar, do mesmo jeito que fazia em seus vídeos inúteis.
Essa é a "nova classe política" que emergiu do desastre da "primavera brasileira" e do embuste da Lava-Jato? Aqueles sem compromisso com a "velha política" (seja lá o quê isso queira dizer) e se comprometiam a combater a corrupção?
De que nos serviram Carla Zambeli, Joice Hasselmann, Kim Kataguiri, Nikolas Ferreira, Fernando Holiday, Renan Santos entre outros "novos políticos"?
Antes, nos tempos da "velha política", para destruir a reputação de um político era necessário um inquérito policial, um processo administrativo, um processo judicial, uma CPI e muito linchamento na imprensa. Hoje, para acabar com a reputação de um "novo político" basta vazar um áudio.
Será que o "Mamãe Falei" tentaria a sorte com uma russa? Acho que não. Apesar de serem tão lindas quanto as ucranianas e também serem pobres, elas estão ganhando a guerra e não precisam da caridade de Zé Ruelas do Brasil.
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