
Hoje, 23 de fevereiro, faço aniversário.
Sou daquelas mulheres que não romantiza a passagem do tempo, acho uma profunda covardia da mãe natureza, mas não me desgasto com o que eu não posso resolver. O que não tem remédio, remediado está.
Evoé às cinquentonas com as suas peles bem tratadas e livros a tiracolo. Nasci montada e me fiz letrada. E certamente morrerei assim. Como um dia disse a minha filha, Sophia, nos seus quatro anos: “Mãe, você parece uma borboleta fashion!”
A cabeça fervilha de grandes ideias, a razão está em alta e a emoção não é desperdiçada com quem e com o que não merece, mas quem a merece tem afeto verdadeiro, parceria constante e um pequeno corpo, quase sempre borbulhante.Todavia esse corpo já impõe alguns limites, às vezes quer que eu pare no aconchego dos lençóis quentes, e eu paro, sem culpa alguma, usufruindo dos pequenos prazeres; mas quando percebo a sua maliciosa imposição, como boa contestadora de autoridade que sempre fui, saio correndo para treinar. Como alguém sem limites obedeceria ao tempo assim? Apesar do veloz e impiedoso correr do tempo terreno, o momento paradoxal é de agradecimento, mas uma gratidão que ora se veste de honestidade, ora desse humor fino que me compõe por puro instinto de sobrevivência. A verdade é que não tenho respaldo para ser infeliz.
Quero agradecer às pessoas que passaram pela minha vida e as que ainda estão comigo nessa caminhada tragicômica. Vou aprendendo com elas e vou ensinando; só eu, elas e Deus sabemos o quê.Agradeço às amizades crônicas, mesmo que não nos vejamos com tanta frequência, mas sempre calorosas nos encontros; agradeço as que, embrionárias, estão se desenvolvendo e àquelas que passaram tão rápidas, mas que deixaram marcas e risadas eternas.
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