O QUE O FILHO 03 PRETENDEU AO EXIBIR O CELULAR NO CONGRESSO SUPREMACISTA? Por Fernando Castilho

O QUE O FILHO 03 PRETENDEU AO EXIBIR O CELULAR NO CONGRESSO SUPREMACISTA? Por Fernando Castilho
01/04/2026


   Há coisas que, à primeira vista, parecem bizarras. Mas basta esfregar os olhos e olhar de novo para perceber que de “estranhas” não têm nada, só exigem que a gente suspenda a boa-fé nas pessoas por alguns minutos.

O leitor perceberá durante a leitura que não há citação dos nomes do clã que pretendeu dar um golpe de estado no país. É para não dar mole para o algoritmo.

  Os filhos 01 e 03 foram discursar num congresso “conservador” nos Estados Unidos, eufemismo elegante para “supremacista branco”. 

No palco, o 01, candidato à presidência, ofereceu nossas terras raras e, de quebra, pediu a Donald Trump uma ajudinha nas eleições brasileiras. Temos, portanto, mais uma tentativa de golpe antes mesmo do cara ser eleito. Falou que adora os EUA enquanto o socialista Lula odeia o país. 

  Já o 03, com o celular grudado na mão, anunciou que mostraria o vídeo ao pai, aquele mesmo que a Justiça proibiu de usar celular. Um detalhe que chamou a atenção de alguém que está vigilante.

Alexandre de Moraes, com a paciência de quem já cansou de ver esse filme, deu 24 horas para a defesa explicar a gracinha, sob pena de mandar o prisioneiro de volta à Papudinha. Se isso acontecer, será a segunda vez que o 03 abre a porta da cela para o próprio pai. Coincidência? Ingenuidade? Ou um filho que sabe muito bem o que está fazendo? Afinal, o ex-deputado autoexilado pode não ser um gênio, mas também não é tão tapado a ponto de colocar o pai em fria por acidente. Por enquanto, a defesa do capitão morte afirmou a Moraes que ele não acessou o celular. Veremos qual será a decisão do ministro.

  Voltemos ao filho 01. Enquanto o pai ainda estava na UTI, ele protagonizou dancinhas em eventos do PL. Estranho? Talvez. Mas, neste ponto, a estranheza já pode dar lugar à desconfiança. Quem conecta os pontos percebe que o teatro tem roteiro.

  Se o ex-presidente estava realmente debilitado na Papudinha, a ponto de médicos pedirem transferência, se retornar à prisão, pode muito bem voltar a ficar doente. Embora drones tenham mostrado imagens dele com saúde aparentemente firme, nada impede que a narrativa da fragilidade seja ressuscitada. Se essa fragilidade é verdadeira, não sabemos. E, convenhamos, para um candidato que aparece empatado ou ligeiramente atrás de Lula nas pesquisas, um empurrãozinho dramático seria providencial. Só que, com o pai confortável em prisão domiciliar, esse empurrão não vem. É preciso criar o cenário. Um cenário de comoção nacional, como o que já vimos no passado e que propiciou a eleição de um candidato que passou três décadas na Câmara dos Deputados sem aprovar nenhum projeto.

 Quais são as marcas registradas dessa dinâmica familiar? Ou, quais são os verdadeiros valores dessa família? O uso compulsivo da mentira, a ausência de limites para atingir objetivos e uma carência de empatia. Assim como o patriarca, os filhos utilizam o quanto podem quem lhes serve, mas não hesitam em descartar aliados que perderam a utilidade. 

   O capitão ainda tem serventia, e será manobrado conforme o interesse dos herdeiros. Se o sucesso do projeto exigir um sacrifício ou um novo "fato heroico", ele poderá ser novamente exposto. Não é um teatro improvisado; é uma peça ensaiada. E nós, a plateia, assistimos ao roteiro se desenrolar.


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