
Neste domingo (12.03), os peruanos foram às urnas para escolher o novo presidente. O primeiro turno teve um número recorde de candidatos, 36, revelando claramente a completa fragmentação do tecido político do país que, desde o golpe parlamentar dado contra Pedro Castillo, não consegue manter a vida no prumo. O cenário do pleito mostra uma população completamente desacreditada das instituições, enquanto o crime e a desestabilização crescem.
Esta situação acaba sendo um caminho perfeito para assunção de candidatos da extrema-direita que prometem colocar “ordem” na casa. Não é sem razão que a filha do ditador Fujimori, Keiko, encabeça o resultado, seguida do igualmente ultraconservador Rafael López Aliaga. Muito provavelmente serão os dois a disputar o segundo turno, portanto, sem alternativa alguma para os peruanos.
A conformação do Senado, com 60 cadeiras, e da Câmara dos Deputados, com 130 cadeiras, segue a mesma proporção com maioria de extrema direita.
27 milhões de pessoas estavam aptas a votar. Ainda não foram divulgados os números da abstenção, mas desde 2021 que o país vem registrando queda na participação. Os peruanos não tem a menor confiança nos deputados e senadores e muitos se recusam a votar. Com isso, a direita segue firme.
Esta é a quarta vez que Keiko Fujimori, de 50 anos, disputa uma eleição presidencial. Ela tem sido uma das mais atuantes figuras da extrema-direita no país, prometendo seguir o legado de seu pai, Alberto. Formada nos Estados Unidos ela criou o partido Fuerza Popular em 2010. Perdeu para Ollanta Humalla em 2011, para Pedro Pablo Kuczynski, em 2016 e para Pedro Castillo, em 2021. Agora, tem grandes chances de levar a presidência. Na campanha, uma das suas proposta é a de tirar o Peru da Corte Internacional dos Direitos Humanos, para poder tratar a criminalidade com “mão-dura”, voltar a contar com a figura nefasta do “juízes sem rosto”, mecanismo implementado pelo seu pai durante a ditadura.
Já o seu oponente, Rafael López Aliaga, com quem deve disputar o segundo turno, fez sua campanha incensando Donald Trump e agindo como ele. Propõem pena de morte e criação de presídios na região da floresta amazônica. Seu lema é: “Se tiver de fuzilar, vamos fuzilar”.
O segundo turno será em 7 de junho.
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