
Recentemente li um artigo
brilhante do diretor Peter Harling, do centro de Pesquisa Synaps (Beirute-Líbano),
“Criar o Vazio”, no qual destaca que bilhões de dólares foram exigidos
por Trump para que um Estado faça parte do Conselho de Paz. Ele também destaca a
“indiferença consciente e deliberada com relação aos palestinos e ao seu futuro”.
Limpeza étnica jamais vista.
Peter Harling também nos faz
refletir quando aborda a total falta de empatia que grande parte das elites
demonstram ao se desresponsabilizarem de qualquer decisão perante todas as
barbáries que presenciamos em todas as esferas.
É lamentável que o chamado mundo
civilizado na atualidade esteja acompanhado lado a lado, da emergência de
tecnologias, e da Inteligência Artificial (IA) e da “preguiça intelectual”, parafraseando
o autor aqui citado como “Desinteligência Artificial” do silêncio explosivo do
mundo. Um exemplo disso está na destruição do Estado de Direito e dos tratados internacionais,
da saúde, da educação, do trabalho, e do
meio ambiente na sua totalidade.
Não esqueçamos que as crises
estruturais do capital são contínuas e de autodestruição em todas as esferas, já
analisadas por István Mészáros, filósofo húngaro (um dos mais importantes
intelectuais marxistas da contemporaneidade).
Nesse cenário nefasto, ainda
temos a guerra sutil da mídia hegemônica do grande capital, que tem como
projeto formar, cada vez mais, um exército global de seres silenciosos,
violentos, que nada sabem e que nada sentem, validando assim o que existe de
mais cruel, os chamados “homens bons”: “A vida é assim mesmo, Deus quis
assim e temos que aceitar”.
Termino essa reflexão sem deixar
de lembrar do grande clássico da literatura russa, “O Idiota”, de Fióder
Dostoiévski. Será que estamos vivendo em uma sociedade que perdeu seu
rumo? Um mundo desencantado? Onde estão
os nossos ideais humanos? O poder, a hipocrisia, crueldade, foram revestidos de
bondade humana?
Por fim, que possamos – antes que
seja tarde demais – resgatar a beleza, os valores humanos dignos de um “
Idiota”. O olhar do que existe de mais profundo e verdadeiro, para a construção
de um outro mundo.
Que sejamos “Idiotas”... muitos e
muitos “Idiotas”. Um exécito de “Idiotas”.
*** Márcia
Moussallem: Socióloga e Assistente Social. Mestra e Doutora em
Serviço Social pela PUC/SP. Tem MBA em gestão para Organizações do Terceiro
Setor. Professora Universitária. Publicou sete livros. Colunista do
Observatório do Terceiro Setor (SP).
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