O EQUÍVOCO DA DEFINIÇÃO/ Por Gerson Brito

O EQUÍVOCO DA DEFINIÇÃO/ Por Gerson Brito
03/05/2026


    É curioso observar como a grande mídia, como a Globo, agora "descobre" a supremacia tecnológica chinesa, mas se recusa a dar o braço a torcer sobre as bases que sustentam esse avanço.

​Para o senso comum liberal, se algo funciona e gera lucro, "deve ser capitalismo". Mas a realidade é mais complexa e estrutural.

 ​Existe uma confusão proposital entre mercado e capitalismo. Ter comércio, transações financeiras e grandes empresas não transforma automaticamente um sistema em capitalismo.

​No Capitalismo: A estrutura de produção e o Estado servem ao acúmulo de capital privado.

​No Modelo Chinês: O mercado é uma ferramenta de desenvolvimento sob o comando do Estado e do Partido Comunista, com o objetivo de cumprir um projeto de país.

​As Bases do Salto Chinês

   ​O sucesso tecnológico que vemos hoje não caiu do céu; foi pavimentado por decisões soberanas que o Ocidente costuma demonizar:

​Reforma Agrária: Garantiu a base produtiva e a soberania alimentar.

​Estatização Estratégica: A agroindústria e os setores de base são controlados para garantir a subsistência e o baixo custo de vida, não para inflar dividendos de acionistas.

​Planejamento Centralizado: O foco em ciência e tecnologia é uma política de Estado de longo prazo, ignorando os ciclos imediatistas das eleições ocidentais.

​Qualidade de Vida vs. Sobrevivência

   ​Fala-se muito da carga horária de trabalho na China, mas raramente se fala no retorno social:

​Segurança e Habitação: Enquanto o Ocidente enfrenta crises imobiliárias agressivas, a China trata moradia como direito e estabilidade social.

​Poder de Compra Real: O custo de vida controlado permite que o trabalhador chinês tenha lazer, viaje e ainda exporte capital, investindo em economias como a brasileira.

​O Contraste Ocidental

​   Enquanto a China planeja décadas à frente e exporta trens de alta velocidade, o modelo neoliberal ocidental parece estar em um processo de involução produtiva.

​A cena do engenheiro dirigindo Uber no Brasil ou nos EUA é o símbolo máximo desse fracasso: uma força de trabalho altamente qualificada sendo desperdiçada em subempregos de plataforma, enquanto a infraestrutura nacional definha. O "capitalismo" que a mídia tenta enxergar na China é, na verdade, o que está faltando no próprio Ocidente: um projeto de nação que coloque a técnica e a produção a serviço do povo, e não apenas do rentismo.



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