O IMPERADOR E O EX-OPERÁRIO/Por Fernando Castilho

O IMPERADOR E O EX-OPERÁRIO/Por Fernando Castilho
09/05/2026


    Muita gente tremeu só de imaginar o encontro entre Lula e Trump na Casa Branca. Eu me incluo nessa. Afinal, o presidente dos Estados Unidos tem a fama de humilhar líderes mundiais como quem cumpre uma tarefa corriqueira; já fez isso com Zelensky e com a cúpula do governo japonês. E Lula, convenhamos, não vem dando mole a Trump. O risco de uma retaliação parecia palpável. Havia quem especulasse até a possibilidade de um sequestro, nos moldes do que ocorreu com Nicolás Maduro, hoje "guardado" como refém dos interesses dos EUA na Venezuela. Trump, afinal, adora encarnar o papel de imperador do mundo.

   Mas o que se viu foi um choque de realidade. Lula, o nordestino que saiu criança de uma casa de pau a pique, atravessou o país num pau-de-arara e forjou-se operário no chão de fábrica e líder sindical, sentou-se frente a frente com o "imperador" e falou de igual para igual. Teve tapete vermelho, honraria dispensada a poucos e uma reunião prevista para 30 minutos que se estendeu por três horas. Três horas! Isso vindo de um homem que costuma despachar chefes de Estado com a pressa de quem enxota vendedores de enciclopédia.

   A diferença de postura é gritante: enquanto Flávio Rachadinha bate ponto em convescotes fascistas, oferecendo nossas riquezas como brinde, Lula fincou o pé na soberania nacional. E foi além: saiu da reunião pedindo que Trump risse mais. E ele riu. Abertamente. Basta ver as fotos. Sim, o homem que enxerga o mundo como seu quintal deu risada porque Lula assim o provocou. Talvez volte a adotar a velha cara amarrada quando se lembrar do caso Epstein. Mas é importante destacar que Lula não cometeu excessos.

   Claro, a grande imprensa brasileira não falhou em seu papel tacanho: num corte, o g1 preferiu destacar que Lula não fala inglês. Como se isso fosse crime. Ora, Trump também não domina o português. Mas parece que, para certos setores, o Brasil só é digno quando seus presidentes desfilam um inglês polido. Como Collor, certo?

  O efeito imediato desse encontro? Os "patriotas" que desfilavam com bandeiras americanas descobriram, da pior forma, que seu deus tem pés de barro. Trump não vai invadir o Brasil, não vai soltar Bolsonaro, não vai salvar ninguém. É um golpe duríssimo para o bolsonarismo, que certamente sentirá o impacto nas próximas pesquisas.

      A campanha de Rachadinha já havia desenvolvido a ideia de que Lula é um Opala velho, que tem problemas cognitivos por causa da idade, etc. Mas Trump desmontou isso ao declarar nas redes sociais que conversou com Lula, o "dinâmico presidente do Brasil". Aí não dá, né?

    Lula prova, mais uma vez, ser um fenômeno. Goste-se ou não, é preciso admitir: poucos têm a habilidade de transformar um encontro diplomático potencialmente perigoso em um espetáculo de soberania e ironia, arrancando risadas de um "imperador" sem entregar o país e sem ser sequestrado no processo.

   Muita gente tremeu só de imaginar o encontro entre Lula e Trump na Casa Branca. Eu me incluo nessa. Afinal, o presidente dos Estados Unidos tem a fama de humilhar líderes mundiais como quem cumpre uma tarefa corriqueira; já fez isso com Zelensky e com a cúpula do governo japonês. E Lula, convenhamos, não vem dando mole a Trump. O risco de uma retaliação parecia palpável. Havia quem especulasse até a possibilidade de um sequestro, nos moldes do que ocorreu com Nicolás Maduro, hoje "guardado" como refém dos interesses dos EUA na Venezuela. Trump, afinal, adora encarnar o papel de imperador do mundo.

   Mas o que se viu foi um choque de realidade. Lula, o nordestino que saiu criança de uma casa de pau a pique, atravessou o país num pau-de-arara e forjou-se operário no chão de fábrica e líder sindical, sentou-se frente a frente com o "imperador" e falou de igual para igual. Teve tapete vermelho, honraria dispensada a poucos e uma reunião prevista para 30 minutos que se estendeu por três horas. Três horas! Isso vindo de um homem que costuma despachar chefes de Estado com a pressa de quem enxota vendedores de enciclopédia.

   A diferença de postura é gritante: enquanto Flávio Rachadinha bate ponto em convescotes fascistas, oferecendo nossas riquezas como brinde, Lula fincou o pé na soberania nacional. E foi além: saiu da reunião pedindo que Trump risse mais. E ele riu. Abertamente. Basta ver as fotos. Sim, o homem que enxerga o mundo como seu quintal deu risada porque Lula assim o provocou. Talvez volte a adotar a velha cara amarrada quando se lembrar do caso Epstein. Mas é importante destacar que Lula não cometeu excessos.

   Claro, a grande imprensa brasileira não falhou em seu papel tacanho: num corte, o g1 preferiu destacar que Lula não fala inglês. Como se isso fosse crime. Ora, Trump também não domina o português. Mas parece que, para certos setores, o Brasil só é digno quando seus presidentes desfilam um inglês polido. Como Collor, certo?

  O efeito imediato desse encontro? Os "patriotas" que desfilavam com bandeiras americanas descobriram, da pior forma, que seu deus tem pés de barro. Trump não vai invadir o Brasil, não vai soltar Bolsonaro, não vai salvar ninguém. É um golpe duríssimo para o bolsonarismo, que certamente sentirá o impacto nas próximas pesquisas.

      A campanha de Rachadinha já havia desenvolvido a ideia de que Lula é um Opala velho, que tem problemas cognitivos por causa da idade, etc. Mas Trump desmontou isso ao declarar nas redes sociais que conversou com Lula, o "dinâmico presidente do Brasil". Aí não dá, né?

    Lula prova, mais uma vez, ser um fenômeno. Goste-se ou não, é preciso admitir: poucos têm a habilidade de transformar um encontro diplomático potencialmente perigoso em um espetáculo de soberania e ironia, arrancando risadas de um "imperador" sem entregar o país e sem ser sequestrado no processo.

Foto: Estadão


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