
O papel de uma esquerda, neste momento, não deve ser o de segregar ou expulsar o eleitorado, mas sim o de dialogar e convencer. É preciso resgatar aqueles que outrora votaram em Lula e que, em algum momento, se inclinaram a votar em Flávio, ou em quem quer que venha a representar a oposição. Embora as pesquisas recentes já sinalizem um movimento de retorno e uma retomada da liderança, o cenário exige uma campanha ativa, de base e de convencimento real. Para isso, é fundamental afastar-se de posturas dogmáticas e puristas e concentrar esforços na construção de pontes.
Curiosa e paradoxalmente, não para o bolsonarista raiz, que bebe detergente, reza para pneu e outras bizarrices afins, mas para aqueles que aspiram viver sob uma legítima utopia liberal, a alternativa mais viável não se encontra nos discursos da direita, mas justamente no cerne do projeto progressista. A meritocracia e a liberdade de escolha só se sustentam quando existe um ponto de partida minimamente equitativo. Sem que as pessoas disponham de oportunidades básicas semelhantes, o mérito se converte em ilusão, e a competição se transforma em um jogo injusto, no qual quem larga na frente apenas perpetua seus privilégios.
É exatamente aí que entram as políticas públicas de inclusão, uma vez que elas atuam para aproximar as linhas de largada social. Somente ao garantir que todos tenham uma base sólida para competir e prosperar é que se torna possível edificar um país economicamente forte, sustentado por uma classe média ampla, sólida e vigorosa.
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