ELEIÇÕES NA COLÔMBIA- PRIMEIRO TURNO POLARIZADO/Por Elaine Tavares

ELEIÇÕES NA COLÔMBIA- PRIMEIRO TURNO POLARIZADO/Por Elaine Tavares
01/06/2026

    As eleições foram marcadas por uma clara polarização regional. Os dois candidatos mais votados, que disputarão o segundo turno em 21 de junho, concentraram seus votos em regiões bem demarcadas. Abelardo De La Espriella venceu no centro do país e no Oriente somando 16 departamentos (estados), enquanto Iván Cepeda venceu nas costas e em Bogotá, também somando 16 departamentos.

   Espriella é o típico candidato da extrema-direita. Empresário de sucesso, se apresenta como um independente e promete governar com “mão de ferro” ao estilo de Bukele e Trump. Afirma que não vai governar com “os de sempre”, buscando distanciar-se dos políticos tradicionais. É o candidato dito “anti-sistema”, que já conseguiu sucesso no Brasil (com Bolsonaro), em El Salvador (com Bukele) e na Argentina (com Milei). Dentre suas promessas está a de “arrasar com a delinquência”, tema bastante sensível para os colombianos. Não sem razão ficou com 43 % dos votos.

    Iván Cepeda é seu contrário. Formado em filosofia, pós-graduado em Direitos Humanos foi um dos principais articuladores dos processos de paz na Colômbia. Tem forte presença entre camponeses, indígenas e trabalhadores por conta de seu trabalho sistemático na denúncia de grupos paramilitares e no apoio da organização popular. Como senador deu batalha contra o narcotráfico e seus cúmplices como Álvaro Uribe. Defende uma reforma agrária para o país, denuncia os efeitos negativos da exploração dos recursos minerais e se destaca na luta contra as condições desumanas dos cárceres, atuando decisivamente na organização das vítimas do estado durante os conflitos armados. Ivan ficou em segundo lugar com 40% dos votos.

 Há discussões sobre o resultado apresentado até agora. O presidente Gustavo Petro insiste que se espere o resultado oficial dos 100% e ainda levanta suspeitas sobre compra de votos e fraude.

  Agora começa um novo processo de campanha para o segundo turno. Espriella deve reunir toda a direita colombiana e Cepeda precisará costurar apoio com outras forças mais à esquerda. Obviamente que estarão atuando fortemente as forças do narcotráfico e também o Departamento de Estado estadunidense. 

Será uma queda de braço bastante disputada.


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