
Descarte de Michelle pela pré-campanha do filho 01 de Bolsonaro deve entrar para a história como um dos maiores erros políticos já cometidos
A saída de Michelle Bolsonaro do comando do PL Mulher deve entrar para a história como o maior erro político de uma campanha presidencial da história do Brasil.
Nenhum partido político brasileiro tem apreço especial pelas mulheres, nem sequer a legenda que se chamou por alguns anos de Partido da Mulher Brasileira (PMB), hoje Democrata.
Além disso, a obrigatoriedade de apresentar um mínimo de candidaturas femininas acabou se tornando motivo para anulação de chapas no terceiro turno protagonizado pela Justiça Eleitoral, e não se tem notícia de que realmente melhorou a participação feminina na política.
Mesmo nesse ambiente, o PL de Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto conseguiu se destacar como um partido que gosta ainda menos das mulheres, e com o requinte de descartar aquela que talvez seja hoje a política mais promissora do ponto de vista popular no país.
Michelle recebeu a missão de liderar o PL Mulher em 2023 e prestou contas no vídeo de desabafo contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, à direita na foto): em 2024, o partido elegeu 45,8% mais mulheres do que em 2020.
Além disso, o número de filiadas ao PL cresceu 19% desde então, para 411 mil.
Diante desses resultados e em meio à tentativa de melhorar sua imagem entre as eleitoras, a falta de cuidado de Flávio e seus irmãos com a madrasta é inexplicável.
A dificuldade de confiar em qualquer pessoa que não tenha o sangue Bolsonaro cobra seu preço de uma forma tão intensa neste caso que pode ser determinante para a derrota do senador na disputa contra Lula — até porque reforça a impressão de que os Bolsonaros não gostam das mulheres, maior parte do eleitorado do Brasil e reticentes quanto à família do ex-presidente.
O PL Mulher se impôs como a iniciativa feminina mais relevante da política brasileira nos últimos anos, porque floresceu num ambiente marcadamente masculino, ao contrário do que já ocorre em partidos de esquerda, ainda que também de forma limitada.
Mesmo assim, a iniciativa acabou sendo jogada no lixo pelo PL Homem, que foi fundado informalmente nesta semana, com o reforço simbólico do discurso do influenciador Paulo Figueiredo, segundo quem mulher não sabe votar, a não ser que instruída pelo marido.
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