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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (08/07) que o cessar-fogo entre os EUA e o Irã "acabou", após uma troca de ataques entre os dois países.
Quando perguntado por um jornalista em uma cúpula da aliança militar Otan na Turquia se o cessar-fogo acabou, Trump respondeu: "É uma pergunta muito interessante. Para mim, acho que acabou."
"Não quero mais lidar com eles. Eles são escória", disse o presidente dos EUA.
"São pessoas doentes, lideradas por pessoas doentes. São pessoas cruéis e violentas. Se tivessem uma arma nuclear, eles a usariam. Para mim, acabou."
"É pura perda de tempo lidar com eles. São mentirosos."
No mês passado, Teerã e Washington haviam assinado um memorando de entendimento de 14 páginas com o objetivo de prorrogar o cessar-fogo e negociar o fim do conflito em todas as frentes.
Trump afirmou nesta quarta que os negociadores poderão continuar conversando, mas "acho que estão perdendo tempo".
Os operadores do mercado de petróleo reagiram rapidamente às falas de Trump.
Pouco antes de suas declarações, o barril de petróleo estava cotado a pouco menos de US$ 76. Às 5h45 (horário de Brasília), o preço ultrapassava US$ 78 e parecia estar subindo.
No final da terça-feira, o Comando Central dos EUA informou ter atacado mais de 80 alvos iranianos, incluindo mais de 60 pequenas embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica.
Em resposta, o Irã afirmou ter atacado instalações militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait.
Os ataques dos EUA ocorreram após investidas, no início da semana, contra três petroleiros no Estreito de Ormuz. O Irã não assumiu responsabilidade direta por essas ações.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse nesta quarta-feira que os ataques dos EUA foram "absolutamente necessários", acusando o Irã de "basicamente violar o cessar-fogo".
Já o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirma que foram os EUA que romperam a trégua.
Na terça-feira, os Estados Unidos lançaram uma série de ataques contra o Irã após três embarcações comerciais serem atingidas no Estreito de Ormuz.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou que atingiu mais de 80 alvos, incluindo mais de 60 pequenas embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã no estreito.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, classificou os ataques americanos como uma violação do memorando firmado entre Estados Unidos e Irã no mês passado e alertou que Teerã iria "tomar medidas decisivas" em resposta.
A imprensa estatal iraniana informou que os bombardeios atingiram a ilha de Qeshm, Bandar Abbas e Sirik, onde pessoas ficaram feridas por estilhaços. Nenhuma morte foi registrada.
Segundo o Centcom, além das 60 pequenas embarcações, os EUA também atingiram instalações de lançamento de mísseis iranianos e bases militares. O órgão não informou a localização dos alvos.
Os EUA haviam dito que haveria consequências para o que classificaram como ataques "totalmente inaceitáveis" contra três navios-tanque.
Os três petroleiros foram atingidos em um intervalo de 24 horas, entre segunda e terça-feira, segundo a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO). Não houve registro de vítimas.
Em comunicado publicado na rede social X na noite de terça-feira, o Centcom afirmou que os bombardeios foram realizados "em resposta aos ataques iranianos".
"A agressão do Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo", afirmou o Centcom.
Nesta quarta-feira, há relatos de alarmes soando no Bahrein, depois que o Irã disse ter atacado 85 instalações militares americanas estratégicas no Porto de Salman, área da Quinta Frota dos EUA no Bahrein, em uma operação conjunta com mísseis e drones.
As forças armadas iranianas também afirmam ter atacado a Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait.
Segundo o comunicado, a ação ocorre em resposta a ataques militares dos EUA lançados contra "várias bases costeiras e instalações civis ao longo da costa da província de Hormozgan e de Mahshahr".
Os preços do petróleo registraram leve alta após os ataques americanos. O barril de petróleo Brent, referência internacional, subiu mais de 3%, chegando a US$ 76.
Os preços haviam recuado para os níveis anteriores ao conflito após o acordo de trégua entre os EUA e o Irã, assinado no mês passado.
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