Reação à intolerância em Portugal: embora com atraso, MP acusa mulher por crimes de racismo contra filhos de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank

Reação à intolerância em Portugal: embora com atraso, MP acusa mulher por crimes de racismo contra filhos de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank
12/04/2024

Portuguesa acusada pelo MP de racismo contra os filhos dos atores brasileiros Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso

Ocorrido em julho de 2022, um incidente de racismo ocorrido numa praia da Costa da Caparica, em Almada, envolvendo uma mulher e os filhos do casal de atores brasileiros Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, resulta agora em acusações criminais quase dois anos após o incidente. Adélia Barros, de 59 anos, foi acusada pelo Ministério Público (MP) de dois crimes de injúria e dois crimes de difamação com publicidade e calúnia por motivações racistas.

Segundo o despacho a que o PÚBLICO teve acesso, Adélia Barros proferiu vários insultos racistas contra as crianças Chissomo e Blessings Ewbank Gagliasso, bem como contra outros cidadãos brasileiros e negros, num bar da praia. Entre os insultos proferidos estão: “Vai para a tua terra! Estamos em Portugal, não queremos cá levar com estes brasileiros filhos da p****! Vocês não são portugueses! Voltem para o Brasil! Voltem para África! Saiam daqui! Viva Portugal!”

A acusação descreve que, após iniciar os insultos aos empregados do bar, Adélia Barros dirigiu-se aos filhos do casal de atores com expressões como “Seus pretos imundos!”, “Seus pretos, voltem para África!”, e “Portugal não é lugar para pretos!”, entre outros. O incidente tornou-se ainda mais perturbador quando Adélia Barros perseguiu as crianças, continuando com os insultos, mesmo na presença de outros clientes e funcionários do estabelecimento.

Embora o MP tenha reconhecido os insultos racistas proferidos por Adélia Barros, concluiu que os factos não integram “os elementos objetivos do crime de discriminação e incitamento ao ódio e à violência”, previstos no artigo 240.º do Código Penal. Segundo o MP, a conduta da arguida teria que ser destinada “a divulgação ou através de qualquer meio de comunicação social ou sistema informático”, o que, na sua opinião, não se verificou neste caso.

O incidente afetou emocionalmente as crianças, causando-lhes “medo e ansiedade”, conforme a acusação. A família pede uma indemnização de pelo menos 35 mil euros. Os advogados do casal, Rui Patrício, Catarina Martins Morão e Teresa Sousa Nunes, sublinham a motivação e o carácter racista dos crimes, defendendo a revisão da lei para maior clareza e combate ao racismo e à discriminação.

Na altura do incidente, Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank manifestaram a sua indignação e repúdio perante o comportamento racista de Adélia Barros. Em entrevista à TV Globo, Bruno Gagliasso afirmou: “Não fique calado, não finja que não escutou. Fale, denuncie, isso é crime e as pessoas precisam de ser responsabilizadas.” Giovanna Ewbank também expressou a sua preocupação com a percepção diferente que poderia surgir se ela fosse uma mãe negra, afirmando: “Eu sei que, como mulher branca, o que disse vai ser validado.”

O caso gerou uma onda de solidariedade nas redes sociais e nos media, culminando até numa manifestação de apoio por parte do Presidente brasileiro, Lula da Silva, no X.


FONTE: Sapo (sapo.pt)

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