Mirtzi Lima Ribeiro
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Mirtzi Lima Ribeiro

Em que bolha estamos?

Por: | 07/07/2025

 

        Mirtzi Lima Ribeiro 


Vivemos, cada um com seu entendimento, seu alcance e sua visão de mundo, que esbarra e se limita à proporção da própria necessidade e sobrevivência. 


Quando a pessoa não se inclina a ver as necessidades e os cenários de outros envolvidos, assim como as demandas alheias, isso constrói uma infeliz bolha de realidade que isola essas pessoas do mundo ao seu redor, obstrui a verdade e a inteireza de fatos e circunstâncias.


Mas, como bem enfatizou o economista, escritor e palestrante William Edwards Deming (EUA, 1900/1993): “Sem dados, você é apenas mais uma pessoa com uma opinião”. 


Se quisermos ser criteriosos, corretos e verdadeiros, será preciso ir além da mera visão parcial de questões complexas, procurar cotejar números, proporções, cenários, conjunturas, prognósticos e diagnósticos com bases consistentes, para só então poder esboçar um juízo de valor a respeito de temas que envolvem mais do que a mera especulação ou achismos. 


Não dá para firmar entendimentos sobre bases pantanosas, especialmente se elas enfocarem tão somente um lado de uma questão multifacetada e complexa, que envolve várias estruturas e interesses. Seria muito pobre e extremamente frágil qualquer argumento com o objetivo de sustentar uma tese dessa envergadura.


Se não ousarmos e não nos dispusermos a ouvir fontes sérias, permaneceremos na nossa bolha de realidade relativa, sem perceber a inteireza e o mundo à nossa volta.


Será necessário acessar dados consistentes, compreender outros pontos de vista bem fundamentados, colher evidências e referências robustas a respeito de informações e fatos. 


O acesso a dados comparativos buscando consolidar um entendimento sobre realidades concretas (não apenas sobre situações em que se generaliza sem considerar as evidências), é que conduz a uma visão mais abrangente e mais adequada do contexto examinado. 


Entretanto, isso requer uma mente aberta, imparcial e sinceramente desejosa de obter a verdade dos fatos e circunstâncias. Lamentavelmente, o que se observa é um grande número de pessoas em busca de uma maneira de ratificar a sua visão parcial e seu interesse pessoal, mesmo que para isso se utilize de fontes sem fidedignidade, sem consistência e sem base.  


Uma fração jamais será igual ao todo se ela não guardar simetria igual à dos perfeitos fractais. 


Um pedaço de informação poderá ser distorcido e deformado quando recebe enxertos de parcialidade, de tendenciosismo e até de indução deliberada.


Então, é prudente estudar e examinar cada questão com denodo e abertura de consciência, verificar escores, avaliar sem paixões, sem carimbos e sem preconceitos.


Muitas vezes é pernicioso (e quase sempre é), julgar com base em uma narrativa unilateral e inconsistente, com forte envolvimento em interesses pessoais. 


Pessoas eticamente maduras buscam encontrar a realidade do que existe de fato para ter uma visão mais clara e procedente, jamais uma realidade paralela, que passa ao largo da verdade e se fundamenta apenas em dados distorcidos ou deformados.


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