Pensamentos Provisórios
Hildeberto Barbosa Filho
Com o falecimento de Eilzo Matos, a APL, Academia Paraibana de Letras, abre uma vaga a ser ocupada, em tempo oportuno, por um novo acadêmico. A Casa de Coriolano de Medeiros!! Me parece que muitos dos meus pares, de dentro e de fora, não compreendem bem o sentido dessa instituição, uma vez que demonstram desconhecer a sua riqueza concreta e a sua espessura simbólica. As academias de letras, e a paraibana não é diferente, além de cuidar do valor, da correção, da beleza do idioma e de preservar a memória cultural de suas respectivas regiões, constituem um valioso patrimônio histórico, artístico, científico, turístico e literário. Cultivam o princípio seminal da conservação, mais do que o da transformação. Afinal, conservar é uma esfera fundamental da vida. E me parecem entidades acima das pessoas. São bens materiais e imateriais. Detêm, fundidas, facticidade e transcendência. Lá se encontram, entre mortos e vivos, personalidades que se notabilizaram pelos seus feitos cognitivos, criativos e suas ações em âmbito social. Na APL, por exemplo. nomes, como Augusto dos Anjos, José Américo de Almeida, José Lins do Rego, Ariano Suassuna, Edilberto Coutinho, Osias Gomes, Flóscolo da Nóbrega, Ernani Satyro, Ivan Bichara, Eudes Barros, Pedro Américo, Tarcísio Burity, Luiz Augusto Crispim, Jackson Carvalho, Ascendino Leite e tantos outros formam uma galeria seleta que merece nosso respeito e nossa admiração. Devem, num outro viés, servir de modelos para aqueles que habitam a vetusta e tradicional Casa das letras, da palavra e do pensamento. Por outro lado, devem também reger e iluminar os passos daqueles que almejam adentrar no seu ambiente quase sagrado. No entanto, na prática, as coisas não têm ocorrido assim. Creio que é mister se mirar melhor no espelho! Desencavar a autocrítica e se medir, de fato, pelos paradigmas precedentes. À parte o nefasto processo de banalização das academias disseminado em todos os redutos, como se fora uma epidemia de mediocridade e estultice, não são poucos os que, destituídos dos requisitos necessários e sem as virtualidades intrínsecas, quer de ordem intelectual, quer de natureza ética, a fazerem jus à imagem de grandeza e dignidade da Academia, se arrogam o direito de compor seu quadro de sócio efetivo. Porém, isso ainda não é tudo. Há, infelizmente, aqueles que, decerto, bafejados pelas bruxas diabólicas da soberba e do ressentimento, se acham acima dela, a Academia, ousando desdenhar de sua história e glória.
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