CANDIDATURA
João Batista de Brito
Conforme já divulgado pelo amigo Hildeberto Barbosa Filho, estou, sim, candidato a uma vaga na Academia Paraibana de Letras.
É possível que alguns amigos ou amigas estranhem essa minha decisão de última hora, já que, com tanto tempo de trabalho com literatura e cinema, nunca manifestei intenção de fazer parte da casa de Coriolano de Medeiros.
De uns tempos para cá, porém, amigos como Sérgio de Castro Pinto, Gil Messias e Hildeberto, além de alguns outros que não estão na APL, pessoas que acompanham meu trabalho de muito tempo, terminaram por me convencer de que seria cabível e oportuno fazer parte dessa nobre instituição.
Se mereço não sei. Isto será decidido por aqueles que compõem a APL, e seja qual for o resultado da votação, me darei por satisfeito.
Em favor da minha admissão naquela Casa, o que tenho a alegar é o meu longo, intenso e contínuo trabalho com literatura e cinema.
Não vou aqui debulhar o meu currículo, que seria cansativo para o leitor desta crônica, mas posso ao menos, destacar alguns pontos.
Sou formado em Letras, com três habilitações: Português, Francês e Inglês. Fui, por trinta anos, professor na UFPB, onde adquiri os graus de mestre em literatura anglo-americana e doutor em literatura brasileira. Na área da graduação, lecionei literatura inglesa, e na pós-graduação, Teoria do texto poético (com ênfase num corpus brasileiro, eventualmente paraibano), além de Teoria do cinema.
Desenvolvi vários projetos de pesquisa nessas áreas, assim como na área de tradução, neste caso com foco no soneto shakespeariano. Dei palestras e fiz comunicações sobre literatura e cinema, dentro e fora dos muros universitários. Orientei dissertações e teses de doutorado. Na condição de membro da ANPOLL (Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Letras e Linguística) fiz Comunicações e/ou palestras em Semiótica Poética em diversas universidades brasileiras (1982/2002). Fui bolsista Fulbright na Universidade de Indiana, Estados Unidos, onde desenvolvi projeto de pesquisa sobre o poeta E. E. Cummings
Se o trabalho acadêmico não aparece em público, tive sorte em poder divulgá-lo para fora dos muros universitários, através da imprensa local. E dou o exemplo mais evidente: desde 1980 sou colaborador regular do suplemento Correio das Artes, do Jornal A União, onde veiculei/veiculo parte de minhas atividades de professor/pesquisador/pensador. Como o Correio das Artes é mensal, se se fizesse o somatório dos meus ensaios ali publicados, o conjunto dos textos resultaria num livro exageradamente volumoso.
Além disso, fui, em momentos diferentes, colunista em todos os jornais paraibanos: Correio da Paraíba, Jornal da Paraíba, O Norte, O Momento, Contraponto... Acho que meu período mais longo foi em O Norte. Também escrevi para o D.O. Leitura de São Paulo e para o Suplemento Literário de Minas Gerais.
Na segunda metade dos anos noventa, fui membro do Conselho Estadual de Cultura, e membro do Conselho Diretor do Espaço Cultural, período em que auxiliei na programação e na restauração do velho Cinema Banguê. Sou membro da ABRACCINE (Associação brasileira de críticos cinematográficos) e da local ACCP (Academia de críticos cinematográficos da Paraíba).
Peço licença ao leitor para relembrar os meus livros editados, uns exclusivamente sobre literatura, outros sobre cinema, e outros ainda sobre a problemática relação entre as duas artes:
“Poesia e leitura: os percursos do gozo” (Funesc, 1989); “Signo e imagem em Castro Pinto” (Ed. Ufpb, 1995); “Imagens Amadas” (Ateliê Editorial, 1995); “Passou no Banguê: ensaios de cinema” (Funesc, 1996); “Leituras poéticas” (Memorial da América Latina, 1997); “Um beijo é só um beijo” (Manufatura, 2002); “Literatura no cinema” (Unimarco, 2006); “Hollywood em outras línguas – a tradução de títulos de filmes e seus problemas” (Ed. Ufbp, 2009); “Traduzir-me” (Ed. Ideia, 2024); “Pão com sabor de poesia” (Selinho Editorial, 2025).
Nesta lista ouso incluir um livro virtual, a que o leitor pode facilmente ter acesso, no caso, no meu blog ´Imagens Amadas´. Com o título de “Emoção à flor da tela”, este livro contém 150 ensaios sobre filmes que, em ordem cronológica, recobrem a produção cinematográfica do Século XX.
Se me for permitido, ouso acrescer que no hd do meu computador jazem alguns “livros” inteiros, esperando para serem editados a qualquer momento. Cito dois exemplos. Um sobre a ficção paraibana, com ensaios sobre W J Solha, Valéria Rezende, Marília Arnaud, Arturo Gouveia, Aldo Lopes e Gonzaga Rodrigues. E um outro sobre a poesia paraibana, com longos ensaios sobre os poetas Jomar Morais Souto, Vanildo Brito, Lúcio Lins, José Antônio Assunção, Hildeberto Barbosa Filho, Sérgio de Castro Pinto, Marcus Tavares e outros.
Enfim, não sei se mereço fazer parte da Academia do Pensamento da Paraíba (nome original, concebido pelo mestre fundador Coriolano de Medeiros), mas, se merecer, vou encarar a conquista como um mui significativo reconhecimento do meu trabalho.
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