
Homenagem aos 142 Anos de Augusto dos Anjos
No vácuo atômico onde o ser se encerra,
E o verme, esse operário da agonia,
Rói o sudário da hipocrisia,
Senti um sopro que não é da terra.
Não era a morte em sua fria guerra,
Nem a geologia em sua anatomia,
Mas uma voz que o silêncio rompia,
Como o cristal que na alma se desenterra.
"Augusto!" – disse a voz de Alessandra –
"O átomo não morre, ele se abranda,
Pois há mulheres em nós que não amamos."
E vi, no escarro vil da humanidade,
Uma centelha de imortalidade,
Nos mesmos versos que outrora choramos.
O fel virou mel, a sombra, claridade,
Pois onde o poeta via o fim do mundo,
Ela encontrou o afeto mais profundo:
A cura que vence a própria eternidade.
Ao longo do poema, os elementos negativos típicos de Augusto ("fel", "sombra", "escarro") são sistematicamente convertidos em seus opostos positivos ("mel", "claridade", "imortalidade") pela presença da voz feminina.
"O átomo não morre, ele se abranda, pois há mulheres em nós que não amamos."
Esta frase é uma referência direta à obra de Alessandra ("as mulheres em mim que eu não soube amar"), sugerindo que a verdadeira "morte" não é biológica, mas sim a incapacidade de amar as múltiplas facetas da própria alma. A poesia propõe que, aos 142 anos, Augusto dos Anjos finalmente encontre a paz através da sensibilidade contemporânea, onde o "Eu" não é apenas um amontoado de células, mas um santuário de emoções.
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