Dane-se
Não tenho vocação para ser vassalo, tampouco aptidão para servidão voluntária. Na composição da minha matéria tem um pedacinho da África, um tantinho da guerra de Canudos, outro tanto dos ideais de Tiradentes, Dom Helder Câmara, João Cabral de Melo Neto, João Pedro Teixeira, João Guimarães Rosa, José do Patrocínio, Castro Alves.
Tiras picotadas de "Grande Sertão: Veredas", "Cio do solo, engenho, cana de açúcar, bolandeiras, léguas de estradas que perdem na imensidão das terras griladas e arrasadas pela mão humana. Fonte de água doce que fomenta sedes, que ferve o sangue no calor do desespero, herdeiro do sobejo das oligarquias que escravizam a gente.
Há tempo que comercializaram a religião, tempo que perdoar vale moeda, que odiar é livre expressão, que o código de ética é subordinação, que tudo é possível quando não se respeita a razão. A moda do momento é normalizar aquilo que antes era espúrio, construir muros e dinamitar pontes, é instalar o caos, dividir classes, postular conflitos psicológicos e ideológicos, é repetir mentiras para conturbar a verdade. Dane-se os habitats periféricos, dê vazão das riquezas aos destinatários soberbos, abjetos.
Caldas
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