Hildeberto Barbosa
Hildeberto Barbosa
Hildeberto Barbosa

Sem loucura ninguém se salva

Por: | 02/05/2026

Pensamentos Provisórios
Hildeberto Barbosa Filho

Não tenho dúvidas de que, escrevendo meus poemas, sou presa de elementos alucinatórios. Criar sempre me pareceu uma estranha travessia pelas sendas da loucura. Com loucura não quero dizer doença mental, mas certa aptidão para o abismo e para a prática dos atos inaugurais. A experiência íntima com aquilo que pode ser único e original. A loucura é uma forma dolorosa de solidão. Não existe solidão maior que a do poema. Para mim, alguma esquizofrenia o poema comporta, na medida em que significa um corte especial no organismo da realidade. Por isso, só nele, o poema, a realidade se mostra em sua plenitude. O avesso, o invisível, o impossível tendem a se estratificar nas vísceras da linguagem, dando sinais de novas percepções. Daí, a fecundação da sensibilidade e a liberdade da imaginação. A lucidez, portanto, não cria e pouco contribui para a transformação das coisas. Sem loucura ninguém se salva.


FONTE: Facebook - Acesse

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