Renato Uchoa
Renato Uchoa
Renato Uchoa

PAU A PAU?


Por: | 03/05/2026


  O governador do Piauí, Lucídio Portela, nomeado pela ditadura militar em 1979, governava com uma caneta numa mão e uma chibata na outra. Era irmão do senador Petrônio Portela, ministro da Justiça dos ditadores Ernesto Geisel/João Figueiredo, no processo capenga de abertura política, quando se prenunciava o fim da ditadura.   Em 15 de março de 1979, Geisel impôs a Figueiredo a nomeação de Petrônio, que morreria um ano depois. Segundo se afirma, um repórter perguntou certa vez: “Doutor Lucídio, as eleições estão pau a pau?” E ele, médico que foi, não seguiu o protocolo em relação à linguagem e respondeu prontamente: “Não, tá pau a cu”.A esquerda burocrática é hegemônica nas centrais sindicais, sindicatos e nos movimentos sociais em geral. São partidos intitulados de esquerda que se alimentam de eleições, respeitam a governabilidade burguesa, e têm mais medo do povo mobilizado do que o diabo tem da cruz. Vivem por décadas arrefecendo a revolta popular em direção ao pescoço certo.   Não há como negar a conjuntura e o esforço dessa esquerda enviesada – de calça de fundo mole, cordão de meio quilo de ouro e pulseira que faz o barulho de uma cascavel –, que não teve a decência de defender Lula Livre e vai se configurando para um cenário de pau e pedra.

 O esforço da esquerda burocrática, em última análise, agora sempre com  a exclusão das camadas populares, dos movimentos sociais, sindical..., privilegia uma frente composta de golpistas arrependidos e todo tipo de oportunistas e traidores. Eles desfilam no bloco de carnaval eleitoral em defesa do finado Estado Democrático, há pouco tempo enterrado de cabeça para baixo, por grande parte deles.   O objetivo é conter mobilizações com um grau de radicalidade maior, para tocar o rebanho em direção às urnas, mesmo que nos faça parecer que a população não se mobiliza. Ledo engano, a fome ainda varre a cidade e o campo, não obstante as políticas do governo Lula que retiraram milhões da fila do osso, marca da gestão do ladrão de joias Bolsonaro e do general capado Mourão. 

    A situação é crítica ainda  em vários  setores, e não há como negar: tá pau a cu. O governo popular, ainda não aprendeu, e vários países da região têm base nas mobilizações de trabalhadoras/ trabalhadores, nos movimentos sociais..., para garantirem as conquistas. O Governo da Pólvora foi repudiado pelo mundo,  queimou todas as políticas sociais dos governos populares Lula/Dilma, retirando acintosamente os direitos conquistados. Queimaram as florestas e envenenaram  os alimentos produzidos pelo agronegócio.  E querem voltar novamente. Estudantes, os professores e os movimentos sociais, sindicatos...,

 têm que ocupar as ruas e avenidas do Brasil,  para mais um grito de liberdade,  contra esse Congresso de Ratazanas, que liberaram armamentos pesados, para o que existe de pior, que na hora certa não vão mais ocupar a Praça dos Três Poderes, vão metralhar, caso o Golpe Parlamentar não funcione. 

    Vale o registro da Batalha do Jenipapo, em 13 de março de 1823, na cidade de Campo Maior/Piauí, quando os campo-maiorenses, cearenses e maranhenses, armados de paus, pedras, foices..., enfrentaram os portugueses armados até os dentes, comandados por Fidié. O rio ficou vermelho de sangue e heroísmo. Morreram mais de 250 combatentes em prol da liberdade. Fidié cruzou o rio Jenipapo assustado com a coragem da resistência e poucos dias depois se rendeu na cidade de Caxias, no Maranhão.

    É pau, é pedra, e tem que ser o fim do caminho da possibilidade de destruição do país com a volta do filho do ladrão Bolsonaro, que, sem dúvida, cometerão genocídio contra milhões de brasileiros e brasileiras, que em pouco menos de duas décadas sentiram o gosto da dignidade de viver em um Estado Democrático, nas gestões Lula/Dilma/Lula. Acorda, Inácio. 


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