
O sociólogo italiano Domenico de Masi, depois visitar vários países e em especial o Brasil, desenvolveu uma importante pesquisa que virou o livro "O Ócio Criativo", publicado em 2000 pela editora sextante, onde questionou o que poderia ser uma sociedade pós-industrial, em que, a elevada tecnologia iria gerar muito desemprego e muitos postos de trabalho seriam substituídos por máquinas como robôs.
A editora brasileira Sextante, acertou en cheio ao publicar o livro de Domênico de Masi, nas Terras do Zé Carioca. Ele inclusive fez várias palestras e lançamentos do livro nos grandes centro e sempre era convidado para grandes encontros universitários.
De Masi (2000), via no Brasil um país com grande capacidade para "o ócio criativo", diante de um povo que irradiava alegria, com muitas festas, pois, enquanto uns se divertiam, outros trabalhavam para realizar as grandes festas, como o carnaval, o futebol, as tradições religiosas, o turismo de mar e sol etc.
Nessa época o mundo fervilhava em grandes mudanças globais, com o fim do bloco soviético e desintegração do leste europeu. As ondas neoliberais tomavam conta dos noticiários e ommundo digital do Cleberespaço (Levy, 1999) e das redes sociais já estavam ganhando adeptos nos grandes centros metropolitanos.
Neoliberalismo, globalização e nova ordem geoeconômica. Os tigres asiáticos, a China e os novos blocos geoeconômicos, se organizavam, diante de um mundo, aparentemente aberto. Os países com mais tecnologia e maior capacidade produtiva alcançavam mais mercado e maior controle econômico.
Enquanto grandes empresas multi e transnacionais se realinhava para abocanhar os novos mercados da ex-união soviética, o Oriente Médio, era o grande centro de disputa energética, com forte e agressiva entrada dos EUA no Iraque e Afeganistão. As tensões geopolíticas e a privatização de Estatais no Brasil, México, Argentina, África do Sul e no Leste Europa, era a grande pauta do neoliberalismo.
No mundo do trabalho, de acordo com Domênico de Masi (2000), a ideia era pensar em como gerar bem-estar social e qualidade de vida, em um mundo com menos trabalho manual e mais tempo livre. 25 anos depois, esse período chegou e, em muitos países a lógica da exploração humana continuou, sem nenhuma alteração e até se intenssificou, com refornas trabalhistas e previdenciárias, onde a classe trabalhadora perdeu direitos duramente conquistados.
Em outros países nordicos da Europa Ocidental, com uma visão mais social democrática, com ideologia mais de esquerda, as reformas trabalhistas apontaram para jornadas de trabalho mais flexíveis e, em muitos casos, com jornadas de 6 horas diárias, 5 dias de trabalho e 2 dias de descanso e de 36 a 40 horas de trabalho.
No Brasil , na década de 1990 foi criado o Partido Social Democrático Brasileiro (PSDB), com o discurso de melhores condições sociais e depois de eleger como presidente o sociólogo Fernando Henrique Cardoso (FHC), ele mesmo declarou, "esqueçam tudo o que eu escrevi", e passou a adotar o neoliberalismo em grande escala, privatizando as estatais brasileiras e fazendo reformas previdenciárias, com grande ataque a classe trabalhadora.
Antes da década de 1980 as jornadas médias eram de 48 horas de trabalho e com horas extras, se chegava a 55 ou 60 horas. Por incrível que pareça, nesse período já existia uma gigantesca massa de desempregados urbanos e/ou trabalhadores informais. No campo, predominava os bóia-fria, e trabalho análogo a escravidão.
FHC (PSDB), foi reeito presidente com grande apoio da imprensa brasileira e deu continuidade a política neoliberal de privatização, arrocho salarial, precarização do mundo do trabalho, ataque aos serviços e servidores públicos e colapso do Estado brasileiro.
Essa semana, diante do dia primeiro de maio, dia internacional da classe trabalhadora, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Partido Novo), defendeu que criança a partir dos 14 anos deveriam trabalhar. Em pleno mundo onde não existe mais emprego para adultos, esse senhor, pré-candidato a presidente do Brasil, aposta que o melhor para as crianças é o trabalho, ao invés da educação, lazer, esporte, arte e cultura.
Enquanto isso, o presidente Lula, oferece bolsa de estudo para os adolescentes, oferece livros em todos os níveis da educação, oferece transporte escolar, oferece escolas em tempo integral e oferece cursos técnicos modernos para esses jovens, além da oportunidade de fazerem cursos superiores em vários Institutos Federais, universidades federais, estaduais e até mesmo em universidades privadas com o Pró-Uni, com bolsas de 50% até 100%.
Mas o grande debate nacional brasileiro, com um atraso de quase 40 anos, entrou em pauta no Congresso Nacional, depois que a Deputada Federal Erika Hilton (PSOL), apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), pedindo o fim da escala 6x1 e apontando para uma escala mais flexível de pelo menos umas 40 horas semanais.
Virgem Maria, a extrema direita e a direita brasileira, representante dos grandes empresários, partiu para cima, acusando os trabalhadores de vagabundos, que não querem trabalhar, que o fim da escala 6x1 vai quebrar o Brasil e que tem que trabalhar para ser digno, etc e tal.
Um verdadeiro cerco de proteção aos grandes empresários foi feito no "congresso inimigo do povo", para barrar a aprovação do fim da escala 6x1 e depois de quase um ano sem pautar o projeto, quando sairia da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a deputada Bia Kicis (PL) pediu vista coletiva à PEC pelo fim da escala 6x1.
O presidente Lula (PT), percebeu a manobra do "Congresso inimigo do povo" e encaminhou um Projeto de Lei (PL), propondo uma nova escala de trabalho de 40 horas semanais na escala 5x2. Em um ano eleitoral, muitos deputados e senadores terão que avaliar com cuidado, não querer aprovar esse projeto de Lei, pois significaria prejudicar milhões de brasileiros.
Esse grande debate, apesar de ser boicotado e atacado pela grande mídia, o Brasil precisa acordar para "A Consciência de Classe", pois enquanto as elites dominantes concentram grande riqueza a gente é completamente consumido pelo mundo da exploração quase que absoluta, onde eles ficam com 99% de tudo e bem tempo livre nos sobra.
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