
Hoje, acordei sem capa. Sem armadura. Sem o “bom dia” que finge coragem. Acordei sem filtro, sem força de guerra, sem a menor vontade de vencer o mundo. Porque, sinceramente, eu não nasci para vencer batalhas diárias nasci para viver.
Viver. Sentir. Chorar se quiser.
Dizem que sou forte. Dizem que sou guerreira. Mas quem foi que pediu esse título? Eu queria mesmo era o direito de ser frágil um estado de ser que o mundo parece ter esquecido. Frágil como quem sente cólicas e não quer se explicar. Como quem chora no meio da rua e não tem a obrigação de esconder.
Não. Não sou de ferro. Sou carne que pulsa, alma que sangra, pele que marca. Tenho estrias que desenham minha história, celulites que não me envergonham, cabelos que decidiram, por vontade própria, se tornarem brancos. E eu deixo. Que fiquem. Que contem do tempo, do cansaço, da coragem de continuar sem tintura.
Deixa eu ser. Com minhas rugas, que não são sinais de velhice, mas de tantas gargalhadas e dias difíceis que sobrevivi. Deixa eu ficar com as unhas por fazer, sem cílios que tocam o teto, sem extensões que me escondem.
Quero meu café com açúcar, com memória, com colo.
Quero meus filhos por perto, meus netos no colo, meu corpo cansado, mas meu coração inteiro.
Não grita comigo. Não exige. Não me peça mais do que posso. Eu sou só isso uma mulher tentando não se desmanchar em pedaços pequenos demais para recolher depois.
Deixa meu psicológico se curar sem pressa.
Eu não quero ser o trauma da minha linhagem.
Não quero carregar nos ombros os fantasmas que não criei.
Só quero respirar.
Ser poeta, declamar aos ventos.
Amar sem ter que ser exemplo.
Errar sem ser julgada.
Me ama assim
Divina e despenteada.
Sagrada e cheia de manhas.
Brilhante e emocionalmente desequilibrada.
Sou inteligente. Perspicaz.
E frágil, sim.
Extremamente sensível. Chorona, apaixonada pela vida em sua forma mais crua.
Me deixa ser mulher.
Apenas isso.
E isso é tudo.
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