
A Bolívia, o país mais indígena da América do Sul — onde mais de 60% da população é quéchua, aimará e de tantas outras etnias —, vive hoje um momento histórico de resistência. Durante séculos, as riquezas daquela terra foram saqueadas por elites coloniais, deixando o povo na pobreza absoluta. A Bolívia era o retrato cruel do "mendigo sentado em um trono de ouro": dona de vastas reservas de gás, prata e lítio, mas com sua gente privada de dignidade.
A história começou a mudar entre 2006 e 2025. Com a chegada do governo de esquerda liderado por Evo Morales e pelo MAS (Movimento ao Socialismo), o país viveu uma verdadeira revolução popular. A nacionalização do petróleo e do gás garantiu que as receitas do Estado disparassem. A pobreza extrema desabou de 38% para menos de 15%. Pela primeira vez, a maioria indígena conquistou garantias sociais, saúde, educação e voz ativa na política. O governo, finalmente, passou a trabalhar para quem mais precisava: o povo trabalhador.
Mas a reação da elite não tardou. Sob intensa pressão de Washington e da oligarquia local — uma minoria rica de descendência europeia que sempre tratou o povo como casta inferior —, o projeto popular foi sabotado. No ano passado, aproveitando-se de uma cisão interna, as forças de direita lideradas por Rodrigo Paz tomaram o poder. Um golpe orquestrado com o apoio direto de magnatas internacionais, como Elon Musk, de olho nas gigantescas reservas de lítio bolivianas.
O governo de Paz rapidamente mostrou a que veio: desmantelou os programas sociais, iniciou uma perseguição política implacável e emitiu ordens de prisão absurdas contra lideranças populares como Evo Morales — uma hipocrisia sem limites vinda de setores ligados a escândalos internacionais de corrupção moral.
Mas o povo boliviano, que já provou o gosto da justiça social e da soberania, recusou-se a aceitar o retorno ao modelo colonial. As ruas foram tomadas de assalto, o país está paralisado pelo poder da mobilização popular e os fantoches do capital internacional já começam a tremer.
Essa luta não é apenas da Bolívia; é o espelho do cansaço de toda a América Latina — no Peru, na Argentina, no Equador — contra governos que servem a corporações estrangeiras em detrimento de suas próprias populações. A vitória do levante indígena boliviano será o farol que reacenderá a esperança e a organização de base em todo o nosso continente.
Todo apoio à luta do povo boliviano! Quando a classe trabalhadora e os povos originários se organizam, os opressores têm que recuar.
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