Hildeberto Barbosa
Hildeberto Barbosa
Hildeberto Barbosa

Afazeres

Por: | 31/05/2026

Afazeres

Hildeberto Barbosa Filho


Primeiro

varri todo o quintal,

organizei o lixo.

Orgânico aqui, inorgânico

ali.

Depois

fiz o asseio no viveiro

de Clarice,

troquei a água

do azulão Mallarmé,

pus a farinhada

no escaninho de cada

pintagol.

Fui à farmácia

comprar vitamina D,

dorfkex, estomazil,

xantinon, rivotril

e outros bálsamos

para o coração agoniado.

No sebo

adquiri 3 gramáticas

antigas,

uma seleta de poemas

fesceninos

(Aretino e Bocage).

Passei na rodoviária,

pedi uma passagem

só de ida

para a última cidade

do sertão.

Cachoeiras dos Índios,

Bom Jesus, Uriana,

São João do Rio do Peixe,

hoje, Antenor Navarro,

não sei.

Toda geografia

é loucura.

Antes do ônibus

encostar para o embarque,

bebi 4 conhaques.

De repente, tudo

escureceu.

Não sei se foi sonho

ou alucinação.

Só sei

que nunca viajei.

(Hbf.

Do livro inédito, Vou morrer escrevendo meus poemas)


FONTE: Facebook - Acesse

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