
Quando a noite desaba nos meus ossos
e o silêncio se alonga como um rio sem margens,
eu conto as auroras que esperaram sozinhas
mil superfícies de ouro sobre o mar vazio.
Todas elas trazem o mesmo traço seu
um gesto que não volta,
um nome que não ouso,
a curva do seu corpo sendo sombra antes do sol.
Solidão é um vidro onde me miro invertida
seus olhos surgem no fundo, tateando a minha ausência,
e as mãos que não tocaram florescem de frieza.
Mas deixo que o amor inunde este deserto:
cada aurora que passa acumula sua falta
como pétalas que nunca findam de cair.
Se eu disser que te amo, as mil luzes se calam
e resta apenas o rumor do tempo abraçando o soneto
que escrevi com a tinta das manhãs que não viveremos.
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