Alessandra Del`Agnese
Alessandra Del`Agnese
Alessandra Del`Agnese

SONETO EM MIL AURORAS DE SOLIDÃO


Por: | 07/06/2026


  Quando a noite desaba nos meus ossos

e o silêncio se alonga como um rio sem margens,

eu conto as auroras que esperaram sozinhas 

mil superfícies de ouro sobre o mar vazio.

  Todas elas trazem o mesmo traço seu

um gesto que não volta,

um nome que não ouso,

a curva do seu corpo sendo sombra antes do sol.

   Solidão é um vidro onde me miro invertida 

seus olhos surgem no fundo, tateando a minha ausência,

e as mãos que não tocaram florescem de frieza.

   Mas deixo que o amor inunde este deserto:

cada aurora que passa acumula sua falta

como pétalas que nunca findam de cair.

   Se eu disser que te amo, as mil luzes se calam 

e resta apenas o rumor do tempo abraçando o soneto

que escrevi com a tinta das manhãs que não viveremos.




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