Mirtzi Lima Ribeiro
Mirtzi Lima Ribeiro
Mirtzi Lima Ribeiro

DIA DOS NAMORADOS: CELEBRAÇÃO DO VINCULO AMOROSO


Por: | 12/06/2026


               

Todos os povos, culturas e crenças antigas, celebravam em festas populares o simbolismo do enlace e do amor entre pares.


E essa questão não se refere apenas ao amor no sentido da paixão ou da atração física. Há muito mais envolvido em uma relação entre aqueles que se achegam, se acasalam e se entregam a uma intimidade tão bela. 


Por mais que o ser humano tenha se distanciado das origens de muitas ritualísticas que a vida sempre lhe ofertou, continua pulsando em muitos corações, o anseio de encontrar e desfrutar de uma companhia que agregue, que some e multiplique potencialidades, que nutra os corações de alegria com parceria, com cuidado amoroso, com cumplicidade, com aconchego e com o mais refinado amor e vontade de se dar em mutualidade. Essas polaridades são ímãs que se atraem.


Essa chama não foi apagada. Está escondida no profundo do coração de todos os seres humanos. Alguns a ignoram e escondem, sem se dar conta que isso gera ações de amargura, egoísmo e individualismo, petrificando a pessoa por dentro. Outros a esnobam e tentam ludibria-la, esmorecê-la, excluí-la, deixá-la desnutrida ou aprisionada, sem direito à vez ou voz. 


Corajosos são aqueles que assumem vivência-la nos atuais tempos líquidos, de egos inflados, de ações insensíveis, de compreensões rasas e de esnobismo revestido de arrogância e empáfia. Na verdade, podemos ver esse sentido gregário e intimista em animais silvestres e selvagens. 


As lontras, por exemplo, que são mamíferos semi aquáticos, demonstram cumplicidade e proximidade, valorizando o toque e contato físico, o apego no seu núcleo familiar e com o parceiro ou parceira. Há registros de que casais de lontras dormem de mãos dadas, assim como as mães seguram as patinhas dos filhotes para que não se percam na correnteza quando adormecem nos rios. As lontras dão presentes em pedrinhas (“pedrinhas da sorte") e costumam manter laços de lealdade para a vida toda, sendo monogâmicas. 


Os lobos também criam e conseguem manter profundos e perenes laços de proximidade, que duram enquanto os pares estiverem vivos. Dividem atribuições entre o casal quando geram filhotes. Defendem-se mutuamente. 


Ratos silvestres possuem comportamentos semelhantes. Os pássaros também criam esse tipo de união, cuidam do seu par, demonstram afeto, zelo e cuidado. Animais como elefantes, leões, baleias e outros, guardam estruturas muito fortes entre os pares e seus filhotes. 


A natureza é exuberante em exemplos claros quanto à aproximação entre pares no âmbito animal, com vistas a atrair o objeto de desejo para o acasalamento, para formação de vínculos e na constituição de famílias. 


Por que na atualidade, o ser humano quis perder tudo isso, esquecendo do forte apelo de sua própria natureza, quando o fluxo espontâneo seria continuar seguindo esse padrão? E o que está subjacente nele?  


O que está no centro desse assunto é o amor como a força mais potente nesse nosso universo, capaz de mudar, trazer redenção, mover mundos e estruturas. 


Na essência do amor, da vontade de se fundir com o outro, não há apenas a busca do êxtase, do prazer ou de suprir desejos íntimos. No âmago dessa aspiração, está contida não apenas a mensagem da perpetuação da espécie, mas a matriz da vida, daquilo que é imortal, do que possui a força propulsora de tudo o que existe de materializado nesse universo. São forças poderosíssimas. Quem tem coragem para senti-las e desfrutá-las construtiva e elegantemente?


O amor é a união, é o amálgama da vida, o rodopio de forças criadoras.

Através do amor o Divino se torna palpável, tangível, se exterioriza para sentir. Sentir a força criativa que se expressa, não por um apego egotista, mas por um laço de luz que aproxima corações que flamejam, que estão tocados pelo Espírito Infinito. Portanto, que conseguem exalar a magnificência da vida. 


Os épicos que enfocam o amor imortal entre os seres humanos, nos apontam para a mágica alquimia das almas na dança da vida, ensinando que essas forças ao se unirem descobrem aquilo que é imortal, encontrando seu elo com o infinito, com os significados mais sublimes.


Em uma Encíclica Papal assinada pelo então Bento XVI, Deus Caritas Est, ele aborda o papel do sexo nessa redenção das almas enamoradas, o percurso dos amantes para alcançar o Divino através do êxtase. No momento de uma entrega real e pungente entre esse par, será possível chegar a Deus. Ele descreve um caminho, estabelece um mapa que visa à ascensão da matéria ao Divino através desse presente que é o enlace, o pertencimento, o estabelecimento de um elo inquebrantável. Vale a pena ler essa encíclica e beber da sabedoria mística da qual ela se reveste.


Se não houver isso, esse dia será uma mera superficialidade e uma resposta simplória diante de imposições midiáticas e mercadológicas. E isso seria servir de massa de manobra aos mercados que só desejam faturar com o evento. Seria, ainda, uma máscara, um anestésico para vidas mornas, que se deixam aprisionar por convenções, esquecendo-se do coração, da essência do momento e o que ele vem ressaltar. Seria, enfim, a submissão aos apegos ilusórios, aos rótulos e à uma vida sem tempero, sem sal e sem açúcar.  


Portanto, o Dia dos Namorados ressalta o vínculo, a disposição corajosa de estar lado a lado, onde amante e amado decidem viver um para o outro despidos de máscaras, de egocentrismos ou de imposições e controles, sem reservas e com verdade transparente. 


Esse dia comemora o elo firmado através do prazer, do pertencimento saudável, da parceria que valoriza a cooperação mútua e que existe para que duas personalidades se alinhem à realeza da alma e do espírito. 


Por esse motivo o dia celebrado deve nos relembrar a conexão indescritível que se estabelece no sagrado ato em que duas energias se buscam e decidem se unir em um fluxo consciente.




Todos os campos são obrigatórios - O e-mail não será exibido em seu comentário