Ricos
e pobres
Já
escrevi páginas e mais páginas, mas ainda não consegui compor a melodia da
vida. Nas metrópoles, megalópoles, não encontrei empatia entre os transeuntes.
Riquezas, vi em abundância, mas o estágio mísero das massas famélicas supera o
brilho dos holofotes econômicos: ânsia de concentração de riquezas.
Percebi
o quão distante é o tom e a cor do estado oficial em relação ao estado real, e
como se comporta o grau de ascensão social e profissional entre o poder, o ter
e o querer. A progressão social igualitária, teoricamente, só será possível com
a socialização dos meios de produção.
Somos
ricos pobres, porque ainda não aceitamos dialogar com a partilha igualitária
dos bens de consumo. Exploramos a força de trabalho para obter os lucros
exorbitantes, como se fôssemos ingênuos. A relação entre capital e trabalho é
exageradamente especulativa e desumanizada. O acúmulo de riqueza de posse de
poucos acarreta a ascensão do grau de miséria para muitos.
Quando
exponho que já escrevi páginas e mais páginas, evoco a travessia de um processo
longevo de experiência no granjear entre os meios e os extremos, numa
convivência pacífica com as diversidades. Travessia em que acumulei ideias que
me projetaram a observar pensamentos de renomados literatos da humanidade. Para
tanto, tive que buscar refúgio nos alfarrábios da historicidade.
Caldas
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