João Gomes
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ACORDO DE CESSAR FOGO ENTRE ISRAEL E HEZBOLLAH?


Por: | 19/06/2026


   O memorado de negociações entre os EUA e o Irão prevê a retirada de Israel do sul do Líbano. Sem essa media um dos pontos das negociações fica comprometido.

Ora, qualquer cessar-fogo duradouro entre Israel e o Hezbollah depende, em grande medida, da questão do controlo do sul do Líbano. Se Israel não retirar as suas forças o Irão não aceita negociar. Se as forças do Hezbollah permanecerem militarmente implantadas junto à fronteira israelita, Israel tenderá a considerar que as causas imediatas do conflito continuam presentes.

  No entanto, convém distinguir alguns planos da negociação. O entendimento entre Israel e o Hezbollah, normalmente mediado pelos EUA e por outros intervenientes internacionais, pode centrar-se em medidas operacionais imediatas: cessação de hostilidades, retirada de determinadas unidades, criação de zonas-tampão, reforço da presença do exército libanês e da força da ONU no sul do Líbano, e mecanismos de monitorização.

   Já a desocupação efetiva do sul do Líbano por parte do Hezbollah é uma questão muito mais complexa. Mesmo que esteja prevista em memorandos, entendimentos paralelos ou exigências apresentadas por Israel e pelos seus aliados, a sua concretização depende da capacidade do Estado libanês impor autoridade sobre aquela região e da disposição do próprio Hezbollah em aceitar limitações ao seu dispositivo militar.

  Por isso, um cessar-fogo pode entrar em vigor sem que essa questão esteja totalmente resolvida. O problema é que, se não existir um mecanismo credível para reduzir ou afastar quer Israel quer a presença militar do Hezbollah junto à fronteira, o acordo corre o risco de ser apenas uma pausa temporária nos combates, e não uma solução estável. 


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