
Qual a diferença entre o desempenho de Neymar na Seleção e o golpe do Banco Master?
À primeira vista, nenhuma. Ambos prometem rendimentos extraordinários e entregam uma experiência pedagógica sobre os limites da fé.
O Banco Master oferecia taxas tão generosas que faziam a matemática corar de vergonha. Já Neymar oferece à torcida brasileira algo ainda mais raro: a expectativa permanente. É um investimento emocional de alto risco. O torcedor aplica esperança, reinveste entusiasmo, faz aportes sucessivos de paciência e, ao final do exercício, recebe um comunicado informando que o ativo sofreu uma pequena lesão na coxa.
O curioso é que os dois fenômenos dependem da mesma matéria-prima: confiança.
No caso do banco, havia quem olhasse os números e perguntasse: "Como isso é possível?" No caso do jogador, a pergunta é semelhante: "Como ainda acreditamos?"
A Seleção Brasileira transformou Neymar no primeiro atleta oficialmente enquadrado no regime de home office. Enquanto os demais jogadores correm, dividem bolas e levam pancadas, ele parece participar remotamente dos trabalhos. Está sempre relacionado ao projeto, aparece nas apresentações, surge nas campanhas publicitárias e, ocasionalmente, envia sinais de vida pelas redes sociais.
É uma espécie de consultor externo do futebol.
Quando a Seleção perde, sua ausência é sentida. Quando joga, sua presença também.
Os economistas chamam isso de ativo intangível.
Os torcedores chamam de outra coisa.
Há anos o brasileiro aguarda a maturação desse investimento. A cada Copa do Mundo, surge um novo prospecto. A cada convocação, um novo relatório de desempenho. A cada lesão, uma nova renegociação dos prazos.
Enquanto isso, Pelé, lá do alto da eternidade, deve observar a cena com a serenidade de quem entregava resultados sem precisar publicar vídeos motivacionais.
O segredo é compreender que Neymar já não é exatamente um jogador. Tornou-se um conceito. Uma startup emocional. Uma promessa em estágio permanente de captação.
O Banco Master, ao menos, precisava apresentar balanços. Neymar apresenta penteados.
E o brasileiro, como investidor compulsivo da esperança, continua acreditando que, no próximo trimestre, no próximo campeonato, na próxima convocação, virá finalmente o retorno prometido.
Há golpes financeiros e há os de expectativa.
Os segundos costumam durar muito mais.
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