Alessandra Del`Agnese
Alessandra Del`Agnese
Alessandra Del`Agnese

SONETO DA SOLIDÃO QUE VELA


Por: | 22/06/2026


   A noite é um manto de ágata sombria

Que pesa sobre os ombros do silêncio,

E a alma, qual nau tênue, se desvia

Por mares onde o Verbo está suspenso.


Na mesa, o papel branco é sepultura

De vozes que o luar não desenterra;

A caneta, de fria arquitetura,

Traça o vazio que em mim se enterra.


Mas eis que a sombra, em sua lei primeira,

Se faz mais luz que a luz do sol vindouro:

No fundo poço da alma passageira,


O próprio escuro é um límpido tesouro 

Pois só quem toda a noite se fez inteira

Sabe que a solidão é seu mais puro ouro.



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