Gerson Brito
Gerson Brito
Gerson Brito

OS SEMEADORES DE AMANHÃS


Por: | 24/06/2026


​    “A juventude não é um tempo de vida, é um estado de espírito”, sugeria Anísio Teixeira, ecoando a certeza daqueles que entendem que educar e lutar são formas de desafiar a finitude. Não se trata da permanência estática da matéria, mas da continuidade dinâmica das ideias que se lançam ao futuro.

​Talvez esses homens e mulheres tenham tombado muitas vezes.

​Caíram quando viram projetos de emancipação serem interrompidos pelo sopro frio do retrocesso. Sentiram o peso do tempo quando os companheiros de jornada partiram, deixando vazias as cadeiras das assembleias, as calçadas das praças e os bancos dos conselhos onde outrora se desenhavam utopias. Sofreram quando a realidade cética tentou sufocar a urgência da transformação social.

​Cada revés foi um inverno rigoroso.

​E, no entanto, a primavera sempre insistiu em retornar.

    ​Há uma força teimosa que resiste entre os escombros das velhas estruturas, semelhante à seiva que corre invisível no tronco das árvores nativas, esperando a estação certa para florescer. O cenário urbano se transforma, os cabelos ganham a cor do algodão, as táticas se renovam, mas a dignidade da busca permanece intactas. É a mesma herança ética que move o cidadão na periferia, o líder na comunidade e o diplomata que costura a solidariedade entre os povos do Sul Global.

    ​O progresso humano, afinal, não se mede pela velocidade linear do relógio, mas pela profundidade com que fincamos nossas raízes na terra e na história.

   ​As estatísticas oficiais tentam quantificar a vida em números e relatórios. A memória coletiva, contudo, prefere a permanência dos afetos. Ela se manifesta no jovem que descobre o valor da sua própria voz em uma associação de moradores. Habita o gesto simples de quem planta uma muda de Cambucá sabendo que a sombra e o fruto serão desfrutados pelas próximas gerações. Vive na solidariedade internacional que ignora fronteiras e une trabalhadores de continentes distintos na mesma aspiração por justiça.

 ​Quem compreende a dinâmica das lutas populares sabe que nenhum esforço em prol do bem comum é em vão. O aprendizado do passado alimenta as vitórias do presente. As velhas lideranças abrem caminhos para que os passos novos avancem com mais segurança.

​E assim continuam eles, os construtores do cotidiano, transformando a indignação em esperança e o isolamento em comunidade.

​ Não porque possuam privilégios excepcionais, mas porque compreenderam que a verdadeira imortalidade reside em fazer da própria vida um elo inquebrável na corrente da emancipação humana.

Dedico esse Texto  à  todos e todas  aqueles (as),  que lutam e lutaram pela construção  dos movimentos populares. 




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