
Os recentes sismos registados em diferentes regiões do mundo, da Venezuela ao Japão, recordam-nos que a natureza mantém uma capacidade destruidora que ultrapassa frequentemente as previsões humanas. Cada novo abalo reforça a necessidade de projetar edifícios, infraestruturas e cidades com critérios de resistência cada vez mais exigentes, capazes de suportar os cenários mais severos conhecidos. Contudo, permanece uma incerteza inevitável: nunca se sabe qual será a intensidade do próximo grande sismo.
Nenhuma região do planeta está completamente imune a esta realidade. Algumas zonas encontram-se sobre ou junto das grandes fronteiras tectónicas, enquanto outras podem ser afetadas por falhas geológicas locais, reativação de estruturas antigas ou outros fenómenos geodinâmicos. A lição que a Terra continua a dar é simples: não podemos impedir os sismos, mas podemos reduzir significativamente as suas consequências através do conhecimento científico, do planeamento urbano e da qualidade da construção.
Importa acrescentar que a ocorrência de sismos na Venezuela, no Japão e na Califórnia num período de 24 horas não significa necessariamente que exista uma ligação direta entre eles. A Terra regista diariamente dezenas de sismos moderados e milhares de pequenos abalos. O que acontece é que, quando vários ocorrem em regiões conhecidas e quase ao mesmo tempo, a perceção pública tende a interpretá-los como parte de um fenómeno global extraordinário, quando muitas vezes se trata apenas da atividade normal de um planeta geologicamente muito ativo.
Ainda assim, a acumulação recente de eventos serve de lembrança de que a resiliência sísmica deverá ser uma preocupação crescente no século XXI, sobretudo num mundo cada vez mais urbanizado e dependente de infraestruturas críticas.
Esperemos que, mais uma vez, as nações esqueçam as suas divergências politicas e não se impeçam mutuamente de ajudar quem mais precisa, neste caso a Venezuela. Impedir que os amigos politicos da Venezuela colaborem e participem seria não apenas uma prática de inqualificável hipocrisia como uma grande maldade humana.
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