Hildeberto Barbosa
Hildeberto Barbosa
Hildeberto Barbosa

Três Poemas

Por: | 09/07/2026

Três Poemas

Hildeberto Barbosa Filho

O meu destino

Sou um pastor de nuvens.

Me fiz em tantos ofícios

à margem de mim mesmo,

alma severa sob o peso

ácido do abismo.

Nada professo.

Não creio.

Também nada espero.

Hábito meu corpo,

não me dói o Apocalipse.

Quando morto estiver,

estarei só, completo.

A memória, fluida e anfíbia,

desaparecerá.

Tornar-se-á a angústia

um nervo podre.

Nessa hora,

que o tempo sacraliza,

verei de perto o meu destino.

O corpo desaba

O poema mais próximo é indizível.

O sol é um glossário

de polos magnéticos.

Lá longe os bichos escavam o espaço,

as rugas de seus flancos luminosos.

Dentro de mim,

o sangue soluça lavando

o ciclo das artérias.

Não existe nada real.

Somente a palavra conduz

o vigor das coisas.

O mundo se dissipa, dilapidado.

O poema mais próximo é a demência.

O esquecimento comanda o gesto,

o corpo desaba.

Tons do vento

Uma bússola

de silentes desígnios

trabalha fora do tempo.

Sua mecânica estelar

funciona em meio às nuvens,

dentro do vento.

Sempre fui só.

O espaço me colhe

em suas lúcidas paralelas.

O vento me conforta a dor,

me leva no esquecimento,

varre das eras corais

e anfíbios.

Salva-me do naufrágio,

da tempestade.

(Do livro inédito:

 O ácido aroma de poemas ordinários)

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FONTE: MaisPB - via Facebook - Acesse

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