José Luiz Barbosa de Oliveira
José Luiz Barbosa de Oliveira
José Luiz Barbosa de Oliveira

OS QUE ELOGIAM OU NEGAM A DITADURA


Por: | 09/07/2026

   OS QUE ELOGIAM OU NEGAM A DITADURA são de dois tipos: 1. O ignorante; 2. O mau-caráter. O primeiro tipo é composto do analfabeto estúpido, que não compreende e nem sente a realidade que o cerca e, portanto, para ele não há distinção entre a democracia e um regime totalitário; e também daquele que não viveu o período, não se informou acerca do que foi, e repete o que ouve dos outros ignorantes e dos mau-caráter.  O segundo tipo é aquele que acha que o mundo deve existir só para ele, para sua família e seus amigos (identificaram alguém aí?). O restante da populaçäo deve trabalhar para eles, submeter-se aos seus desmandos e atrocidades, e jamais reclamar da situação!  Neste segundo tipo estão os super-ricos egoístas, os governantes arrogantes e truculentos, e os classe-média e pobres que sonham em ser arrogantes e truculentos, achando que assim ficarão super-ricos. Esses, aliás, chegam a ser mais perigosos do que os seus modelos. São dessa laia o capitão-do-mato, o feitor mulato, o hélio negão. Eu vivi a ditadura desde o seu primeiro momento. Acabara de completar 10 anos quando ela eclodiu. Logo de início, não sabia o que rolava. Morávamos no campo e nem rádio tínhamos em casa. Meu pai foi à cidade no 1° de abril e chegou com a notícia de que estávamos em guerra. E que meu mano Olavo, o Neto, recruta recém-incorporado, tinha sido mandado para a fronteira. Brizolista, meu pai não demorou a inteirar-se dos fatos e a falar deles a famliares e amigos. Nesse contexto, comecei a entender a ditadura. Aos 14 anos, acompanhava pelo rádio ou por algum jornal descartado que me caía nas mãos, os acontecimentos de Paris, no mesmo ano em que os militares decretariam no Brasil o AI-5. Pronto, estava politizado o garoto introvertido, que lia e ouvia tudo calado, mas que não perdia um lance do que acontecia nessa nave Terra que o conduziria em torno do Sol pelas próximas décadas! É tão bom, tão libertador ser politizado, progressista e estar sempre do lado certo da história!


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