
A Rússia começou a colocar em serviço tanques T-90M e T-72B3A equipados com o sistema de proteção ativa Arena-M, uma evolução tecnológica que foi adaptada para detetar e destruir drones kamikaze e munições de ataque antes de atingirem o blindado.
O sistema utiliza radares para identificar ameaças em aproximação e dispara pequenas cargas de interceção a curta distância. Trata-se de uma resposta direta ao papel decisivo que os drones assumiram na guerra da Ucrânia, onde milhares de blindados de ambos os lados foram destruídos ou danificados por sistemas relativamente baratos, como drones FPV e munições vagantes.
As imagens divulgadas mostram igualmente uma alteração na forma de empregar os tanques. Em vez de avançarem isoladamente sobre posições fortemente defendidas, alguns blindados russos passaram a operar a partir de posições mais protegidas, disparando como uma espécie de artilharia móvel, enquanto drones efetuam reconhecimento, correção de tiro e avaliação dos resultados. Esta combinação procura reduzir a exposição direta dos veículos ao fogo inimigo.
Até ao momento, não existem dados oficiais sobre o número de tanques equipados com o Arena-M. Ainda assim, analisando a capacidade industrial russa, o ritmo de modernização conhecido e as imagens já divulgadas, parece razoável admitir uma estimativa intermédia de cerca de 150 tanques já equipados com este sistema. Não será ainda um número suficiente para alterar, por si só, o equilíbrio global do conflito, mas poderá representar uma diferença importante se concentrado em setores específicos da frente.
É precisamente aqui que surge a questão estratégica. A região de Donetsk continua a ser o principal objetivo operacional russo. Embora Moscovo controle atualmente a maior parte do território da região, cerca de 20% permanece sob controlo ucraniano, incluindo áreas fortemente fortificadas e alguns dos últimos centros urbanos importantes. A conquista integral deste território tem sido uma prioridade declarada da operação russa, mas também uma das operações mais difíceis devido à profundidade das defesas ucranianas.
Se os novos tanques protegidos pelo Arena-M forem concentrados neste setor, acompanhados por drones de reconhecimento, guerra eletrónica, artilharia e apoio aéreo, poderão reduzir uma das vulnerabilidades que mais limitaram as operações blindadas desde 2022: a elevada taxa de perdas provocadas por drones de baixo custo.
O Arena-M representa provavelmente uma das mais importantes modernizações introduzidas nos blindados russos desde o início desta guerra. Se a sua eficácia for confirmada em combate e se a produção aumentar para algumas centenas de unidades, poderá contribuir para reforçar a capacidade ofensiva russa nos setores mais exigentes da frente, particularmente em Donetsk.
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