Pensamentos Provisórios
Hildeberto Barbosa Filho
Escrevo poemas porque me sinto só. Também porque me sei imperfeito e infeliz. Lidar com as palavras, na elaboração do poema, sempre me dá a estranha sensação do inacabamento. A sensação de que perdi algo. De que algum elemento me faltou. De que o resultado falha, de que a expressão não está perfeita nem completa. Se alguma coisa permanece obscura na minha relação com o mundo que me cerca, é exatamente na clareira do poema que isso se manifesta de maneira verossímil. Escrevo poemas porque me sinto só e inteiramente subjugado pelo poder do que é essencial, ainda que precário e indefinido. Ao escrever os meus poemas não estou seguro de que executo um trabalho profissional nem que cumpro um possível dever ético. A poesia não é trabalho, não é profissão. Muito menos um imperativo moral. A poesia não combina nem com aquele nem com esse postulado de ordem prática. A poesia é dom, é dádiva, é destino. Por isso escrevo meus poemas, sem temer o ritmo da solidão e da infelicidade.
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